A reciclagem de embalagens em Portugal registou uma evolução residual no primeiro semestre de 2026, com um crescimento de apenas 1% face ao mesmo período do ano anterior, colocando em risco o cumprimento das metas europeias definidas para o setor.
Os dados divulgados pela Sociedade Ponto Verde (SPV) indicam que, entre janeiro e junho deste ano, foram encaminhadas para reciclagem 233.065 toneladas de embalagens provenientes da recolha seletiva, mais 2.071 toneladas do que no primeiro semestre de 2025.
Apesar do aumento da consciencialização dos cidadãos para a importância da separação de resíduos, a entidade considera que o ritmo de crescimento continua aquém do necessário, sobretudo tendo em conta o reforço do financiamento do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE), que deverá atingir cerca de 237 milhões de euros em 2026.
A Sociedade Ponto Verde alerta que os resultados atuais podem comprometer o cumprimento da meta nacional de reciclar 65% das embalagens colocadas no mercado.
“Metade do ano já passou e os números mostram que, se continuarmos neste caminho, estaremos perante mais um ano em que não conseguiremos cumprir as metas de reciclagem de embalagens”, afirmou Ana Trigo Morais, diretora-geral da SPV.
Vidro continua a ser uma das maiores preocupações
Entre os diferentes materiais analisados, o papel e cartão registaram uma evolução positiva, com um crescimento de 5%, enquanto o alumínio aumentou 7%.
Já o vidro continua a ser uma das principais preocupações do setor. A recolha deste material cresceu apenas 1%, mantendo-se aquém do necessário para garantir o cumprimento das metas específicas associadas a esta fração.
Também as embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL) continuam abaixo dos valores registados no período homólogo, com uma quebra de 1%.
Plásticos apresentam comportamentos diferentes
No caso dos plásticos, os resultados são mais variados. A categoria global registou uma ligeira redução, influenciada sobretudo pela diminuição das chamadas “outras embalagens de plástico”, onde se incluem produtos como embalagens de snacks, copos de iogurte e recipientes de frutos secos.
Em sentido contrário, algumas tipologias apresentaram melhorias. O filme plástico cresceu 8%, o polietileno de alta densidade (PEAD), utilizado em embalagens de detergentes e champôs, aumentou 3%, e o PET, usado sobretudo em garrafas de bebidas, registou uma subida de 6%.
Mais financiamento, mas sem melhoria proporcional do serviço
Os dados surgem num contexto de aumento significativo do financiamento destinado à gestão de resíduos de embalagens. A SPV estima que o SIGRE disponha este ano de cerca de 237 milhões de euros, mais 25 milhões do que em 2025.
Apesar deste reforço financeiro, a entidade considera que o investimento ainda não se traduziu numa melhoria proporcional da qualidade do serviço prestado aos cidadãos, apontando constrangimentos relacionados com a disponibilidade de ecopontos, frequência de recolha e eficiência dos processos de triagem.
Para a SPV, é necessário acelerar a modernização do sistema, através de soluções como ecopontos inteligentes com sensores, modelos de recolha porta-a-porta mais abrangentes e sistemas de pagamento associados à quantidade de resíduos produzidos, conhecidos como “pay as you throw”.
Portugal continua abaixo da meta europeia
A Sociedade Ponto Verde recorda que Portugal terminou 2025 com uma taxa de retoma de resíduos de embalagens de 60,5%, abaixo da meta europeia fixada nos 65%, situação que colocou o país em incumprimento.
A entidade defende que a melhoria dos resultados passa por uma transformação estrutural do sistema de recolha e reciclagem, garantindo maior eficiência operacional e maior envolvimento dos cidadãos.
A SPV sublinha que a reciclagem continua a depender não apenas do comportamento dos consumidores, mas também da capacidade dos sistemas municipais e intermunicipais assegurarem uma recolha seletiva acessível, regular e eficaz em todo o território nacional.




