O movimento Humanamente, com sede em Vila Nova de Famalicão, reagiu às críticas feitas pelo Chega local à Marcha LGBTQIAP+ realizada no passado sábado na cidade, acusando o partido de André Ventura de assumir uma postura de “hipocrisia” e de procurar descredibilizar uma iniciativa de defesa da igualdade e dos direitos humanos.
Em comunicado, o porta-voz do Humanamente, Diogo Barros, repudiou “veementemente” as declarações da estrutura concelhia do Chega, que classificou a marcha como uma iniciativa de “instrumentalização política” destinada a “impor à sociedade um conjunto de posições ideológicas que não representam todos os portugueses”.
O partido tinha ainda defendido que a igualdade está consagrada na Constituição e criticado aquilo que considera serem tentativas de exigir “privilégios” ou “aceitação obrigatória de determinadas agendas políticas”.
Em resposta, Diogo Barros considera “revoltante” que “um partido que se diz defensor da moral e dos bons costumes venha dar lições de conduta”, apontando que existem “escândalos” envolvendo membros do Chega que, na sua perspetiva, colocam em causa esse discurso.
O responsável pelo Humanamente menciona casos judiciais envolvendo antigos e atuais elementos ligados ao partido, referindo acusações de crimes sexuais que têm sido objeto de investigação pelas autoridades. O movimento sublinha, contudo, que cabe aos tribunais apurar responsabilidades nos processos em causa.
“A verdadeira agenda política do Chega parece ser a da hipocrisia e da impunidade”, afirma Diogo Barros, criticando também a posição assumida pelo presidente da Concelhia do Chega de Famalicão, Pedro Alves, recentemente suspenso do partido na sequência de um processo interno.
O porta-voz do Humanamente defende que a discussão sobre os direitos LGBTQIAP+ não se limita às questões de identidade e orientação sexual, abrangendo também outras dimensões sociais.
“A libertação LGBTQIAP+ está intrinsecamente ligada à libertação de todas as pessoas oprimidas”, afirma, acrescentando que temas como a crise habitacional, a precariedade laboral, as dificuldades de mobilidade e a emergência climática fazem parte de uma visão mais ampla de igualdade.
Diogo Barros garante que o movimento continuará a promover iniciativas públicas em defesa dos direitos humanos. “Continuaremos a marchar, a lutar e a dar voz a quem é silenciado”, conclui.
A polémica surge na sequência da Marcha LGBTQIAP+ de Famalicão, que reuniu participantes na cidade no passado sábado, e que motivou críticas por parte da estrutura local do Chega, dando origem a uma troca pública de posições entre as duas organizações.



