Um alegado ataque de lobos provocou a morte de 46 ovelhas numa exploração agrícola situada na aldeia de Duas Igrejas, no concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança. O caso foi denunciado pelo proprietário do rebanho, José Carvalho, que estima prejuízos de cerca de 15 mil euros entre animais mortos e feridos.
Segundo o criador, além das 46 ovelhas mortas, outros 12 animais ficaram feridos, sendo que seis apresentam ferimentos considerados graves e os restantes seis sofreram ferimentos ligeiros.
O ataque terá ocorrido durante a madrugada da passada segunda-feira, numa propriedade próxima do Itinerário Complementar 5 (IC5). José Carvalho contou à agência Lusa que tinha 62 ovelhas no local e que, quando chegou à exploração, encontrou a maioria dos animais mortos ou feridos.
“Durante um ano vou ter de repor o efetivo e isso custa muito dinheiro”, afirmou o produtor, sublinhando o impacto económico provocado pelo ataque.
De acordo com informações recolhidas pela Lusa, este será o maior caso de ataques de lobos registado no Planalto Mirandês nos últimos três anos.
O responsável pela exploração comunicou a ocorrência ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entidade responsável pela averiguação dos danos e pela eventual atribuição de indemnização ao produtor.
Os ataques de lobo-ibérico têm sido uma preocupação recorrente entre os criadores de gado da região. No final de 2025, pastores do Planalto Mirandês alertaram para o aumento das ocorrências, classificando a situação como uma “calamidade”.
O lobo-ibérico encontra-se protegido em Portugal, com estatuto de “Em Perigo”, segundo o ICNF. A proteção da espécie inclui medidas como o pagamento de indemnizações pelos prejuízos causados pelos ataques, bem como projetos de apoio aos produtores, nomeadamente através do incentivo à utilização de cães de gado de raças autóctones e outras medidas preventivas.
Em dezembro de 2025, a então ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, anunciou que o Governo iria duplicar o valor das indemnizações atribuídas por ataques de lobos, com efeitos retroativos ao início desse ano, no âmbito do Programa Alcateia.
A atualização dos valores teve como objetivo aproximar as compensações dos custos reais dos animais afetados. Segundo os dados divulgados na altura, o aumento das indemnizações seria de 227% para caprinos, 160% para equídeos, 130% para ovinos e 97% para bovinos.
O caso de Miranda do Douro deverá agora ser avaliado pelas entidades competentes, que irão determinar a origem do ataque e a eventual atribuição de compensação ao produtor.



