A CDU criticou, esta quinta-feira, a intenção anunciada pelos presidentes das câmaras municipais de Braga e Guimarães, João Rodrigues e Ricardo Araújo, de avançarem com a criação da Área Metropolitana do Minho, considerando que a proposta não responde aos problemas estruturais da região e que apenas a regionalização poderá assegurar um verdadeiro desenvolvimento regional.
Em comunicado, a coligação acusa os dois autarcas de procurarem transmitir “uma falsa ideia de defesa da região e das populações”, lembrando que as forças políticas que representam rejeitaram, no passado mês de junho, a proposta de Lei-Quadro das Regiões Administrativas apresentada pelo PCP na Assembleia da República.
Segundo a CDU, a aprovação dessa iniciativa teria permitido avançar para a criação das regiões administrativas, previstas na Constituição, através da realização de uma consulta aos portugueses. A coligação recorda que PSD, CDS e Chega votaram contra a proposta e sublinha que nenhum deputado eleito pelo círculo de Braga votou favoravelmente.
Para a CDU, a regionalização permitiria criar um poder intermédio com legitimidade democrática e eleição direta, definir estratégias de desenvolvimento à escala regional, estabelecer prioridades de investimento e promover uma descentralização efetiva da administração do Estado.
A coligação considera ainda que as atuais comunidades intermunicipais “estão desprovidas de meios, competências e legitimidade democrática”, defendendo que a simples transformação em área metropolitana “não resolverá nenhum dos problemas” existentes.
No comunicado, a CDU acusa ainda João Rodrigues e Ricardo Araújo de seguirem a agenda do Governo PSD/CDS e de instrumentalizarem as autarquias, alegando que ambos têm apoiado políticas que conduzem ao desinvestimento, ao enfraquecimento dos serviços públicos e da democracia local.
A coligação critica igualmente o facto de os dois autarcas terem avançado com a proposta sem promoverem um debate prévio com os restantes municípios das comunidades intermunicipais do Cávado, Ave e Alto Minho, nem com os respetivos órgãos autárquicos.
A CDU recorda ainda que, em janeiro de 2025, o então ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, já tinha anunciado a intenção de criar a Área Metropolitana do Minho, classificando também esse anúncio como uma iniciativa feita “de cima para baixo”, sem discussão nem consulta aos interessados.
No mesmo comunicado, a coligação aponta ainda a falta de medidas concretas para melhorar a mobilidade regional, recordando que foi rejeitada, no final do ano passado, uma proposta para criar um passe intermodal e inter-regional para os transportes públicos da região.
A terminar, a CDU acusa os partidos que sustentam a proposta da Área Metropolitana do Minho de terem rejeitado, quando tiveram oportunidade, medidas estruturais para o desenvolvimento da região, defendendo que “a defesa das populações e do desenvolvimento regional passa pela concretização da regionalização” e apelando aos presidentes das câmaras de Braga e Guimarães para que se empenhem na sua concretização e na valorização do poder local democrático.



