A Guarda Nacional Republicana (GNR) alertou para o aumento da criminalidade associada ao furto de componentes automóveis durante o primeiro semestre de 2026, registando uma subida de cerca de 19% face ao mesmo período do ano anterior. Entre janeiro e junho foram contabilizados 685 furtos de acessórios ou peças de veículos motorizados, o equivalente a uma média de quase quatro ocorrências por dia em todo o território nacional.
Segundo a GNR, este tipo de criminalidade é impulsionado pela valorização dos metais preciosos existentes no interior dos catalisadores, nomeadamente ródio, platina e paládio, cuja cotação nos mercados internacionais continua elevada devido à escassez e à forte procura industrial.
A Guarda esclarece que os criminosos não procuram reutilizar ou comercializar os catalisadores como peças automóveis, mas sim extrair rapidamente estes metais preciosos, recorrendo, na maioria dos casos, a rebarbadoras portáteis alimentadas por bateria. A operação pode ser realizada em menos de um minuto, sendo posteriormente os componentes encaminhados para circuitos ilegais de comercialização e reciclagem.
Dos 685 crimes registados no primeiro semestre, 178 dizem respeito especificamente ao furto de catalisadores. Comparativamente ao mesmo período de 2025, verificou-se um aumento de 108 ocorrências, o que representa uma subida de 18,72%.
Os distritos mais afetados foram Setúbal, com 135 casos, seguido do Porto, com 113, Lisboa, com 93, e Aveiro, com 59 ocorrências. A GNR destaca ainda aumentos percentuais expressivos em distritos do interior, como Portalegre, onde a criminalidade triplicou, Viseu, com uma subida de 150%, e Leiria, que registou um aumento de 71%. Estes indicadores demonstram, segundo a força de segurança, a crescente mobilidade geográfica das redes criminosas.
No âmbito do combate a este fenómeno, a GNR efetuou seis detenções no primeiro semestre de 2026 por furtos de acessórios ou peças de veículos, depois de ter realizado oito detenções ao longo de todo o ano de 2025.
A Guarda informa que reforçou as ações de vigilância e fiscalização dirigidas a oficinas, sucateiras e operadores de gestão de resíduos, procurando controlar a proveniência dos metais entregues para reciclagem e desmantelar os circuitos ilegais de recetação, frequentemente associados a redes com ramificações transfronteiriças. Paralelamente, foi intensificada a fiscalização rodoviária de viaturas suspeitas de transportar ferramentas de corte ou componentes furtados.
Perante o aumento deste tipo de crime, a GNR apela aos proprietários de veículos para adotarem medidas de autoproteção, recomendando o estacionamento em garagens fechadas ou parques iluminados e vigiados, a instalação de sistemas de proteção dos catalisadores e a comunicação imediata às autoridades sempre que sejam detetados ruídos metálicos ou movimentos suspeitos junto de veículos estacionados.
A força de segurança recorda ainda que a compra ou comercialização de peças automóveis sem comprovativo legal de proveniência pode configurar o crime de recetação.
A GNR garante que continuará a privilegiar ações de patrulhamento, fiscalização e sensibilização em todo o país, com o objetivo de prevenir este tipo de criminalidade e reforçar a proteção dos proprietários de veículos.



