Quase metade das crianças portuguesas entre os seis e os 14 anos consome regularmente refeições de fast food ou alimentos ultraprocessados, segundo os dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao quarto trimestre do ano passado.
De acordo com o Módulo de Saúde das Crianças, integrado no Inquérito Nacional de Saúde, 44,7% das crianças desta faixa etária consomem este tipo de alimentos pelo menos uma vez por semana. Entre estas, 5,3% têm esse consumo diariamente, 7,1% entre quatro e seis vezes por semana e 32,3% entre uma e três vezes por semana.
Em termos absolutos, o INE estima que cerca de 49 mil crianças ingerem diariamente refeições de fast food ou alimentos ultraprocessados.
Apesar destes números, a maioria das crianças apresenta um consumo menos frequente: 51,1% consomem estes alimentos menos de uma vez por semana, enquanto 3,6% afirmam não os consumir de todo.
O estudo revela também um consumo significativo de bebidas açucaradas. Cerca de 81 mil crianças bebem refrigerantes açucarados todos os dias, o equivalente a 8,9% da população entre os seis e os 14 anos. Outras 6,2% fazem-no entre quatro e seis vezes por semana.
Ainda assim, 33,6% das crianças ingerem este tipo de bebidas menos de uma vez por semana e 19,4% referem não as consumir.
Por outro lado, o consumo diário de fruta está presente nos hábitos alimentares de 68,6% das crianças, sendo mais frequente entre os seis e os nove anos, faixa etária em que atinge os 73,3%. Além disso, 16,3% consomem fruta entre quatro e seis vezes por semana, 11,2% entre uma e três vezes e 3,4% menos de uma vez por semana ou nunca.
Também a ingestão regular de proteínas, como carne, peixe ou alternativas vegetarianas, é comum, verificando-se em 68% das crianças, com uma prevalência ligeiramente superior entre os rapazes (69,7%) face às raparigas (66,1%).
Já o consumo diário de legumes e saladas é consideravelmente mais reduzido, abrangendo apenas 44,1% das crianças. O hábito é mais frequente entre as raparigas (46,8%) do que entre os rapazes (41,7%) e também mais comum nas crianças entre os seis e os nove anos.
O inquérito evidencia ainda desafios ao nível do estado nutricional. Segundo o INE, 12,9% das crianças entre os cinco e os 14 anos são obesas e 22,6% apresentam excesso de peso, indicadores que continuam a preocupar as autoridades de saúde.
No que respeita ao estado geral de saúde, a maioria das crianças apresenta indicadores positivos. Mais de 88% têm uma saúde oral considerada boa ou muito boa e 96,8% escovam os dentes diariamente.
O estudo identifica, contudo, alguns problemas de saúde relevantes. As alergias afetam 14,9% das crianças com menos de 15 anos, sendo a condição mais frequente, enquanto 4,6% sofrem de asma. Cerca de 6,8% têm perturbação de défice de atenção e hiperatividade (PHDA) e 5,9% apresentam distúrbios da fala e da comunicação.
Além disso, quase 11% das crianças entre os seis e os 14 anos enfrentam dificuldades graves de concentração, memória ou tomada de decisões adequadas à idade.
O relatório revela ainda que 87,3% das crianças com menos de 15 anos consultaram um profissional de saúde, sendo que 83% o fizeram pelo menos uma vez por motivos preventivos.
No quarto trimestre do ano passado, 44,7% das crianças dos seis aos 14 anos faltaram à escola por doença, acidente ou outro problema de saúde, tendo a maioria perdido entre um e três dias de aulas. O INE assinala ainda que existiam 58 mil crianças cegas ou com problemas de visão e 13 mil com perda auditiva em Portugal.



