A decisão do Banco Central Europeu (BCE) de manter inalteradas as taxas de juro na reunião da semana passada poderá revelar-se apenas um compasso de espera, com os analistas a admitirem novas subidas após o verão caso se mantenha o agravamento da tensão no Médio Oriente e a consequente pressão sobre a inflação.
Apesar de o Conselho do BCE ter decidido, por unanimidade, manter a taxa diretora nos atuais 2,25%, os mercados acompanham com preocupação a escalada do conflito envolvendo o Irão e os Estados Unidos, que já voltou a refletir-se no preço do petróleo, com o barril de Brent a ultrapassar os 101 dólares.
Se o atual cenário persistir, os especialistas antecipam pelo menos mais duas subidas das taxas de juro até ao final do ano, elevando a taxa de referência para 2,75%.
O objetivo do BCE passa por travar a inflação, recorrendo ao aumento dos juros para tornar o crédito mais caro, reduzir o consumo e o investimento e, dessa forma, conter a subida dos preços, procurando aproximar a inflação da meta de 2%.
Em Portugal, onde a maioria dos contratos de crédito à habitação está indexada a taxas variáveis, um novo aumento das taxas diretoras terá impacto direto nas prestações pagas pelas famílias.
De acordo com cálculos divulgados pelo Diário de Notícias, num contrato de crédito considerado médio, os juros mensais pagos ao banco poderão aumentar de 362 para 398 euros.
No total, a prestação mensal da casa poderá sofrer um agravamento de cerca de 7%, o equivalente a mais 36 euros por mês, aumentando a pressão sobre o orçamento das famílias.



