A Guarda Nacional Republicana (GNR) assinalou o Dia Mundial da Conservação da Natureza, celebrado a 28 de julho, destacando o trabalho desenvolvido pelo Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) no combate aos crimes ambientais e na preservação da biodiversidade.
Os dados divulgados pela Guarda revelam que, durante 2025, foram registados 5.400 crimes ambientais em Portugal, dos quais 5.301 correspondem a crimes de incêndio florestal, confirmando que este continua a ser o principal fenómeno de criminalidade contra o ambiente no país.
Além dos incêndios florestais, o SEPNA registou 88 crimes de poluição e 11 crimes contra a natureza, infrações que incluem condutas lesivas para os ecossistemas, habitats e espécies protegidas.
A GNR salienta que o combate a estes ilícitos constitui uma das principais missões do SEPNA, enquanto polícia ambiental nacional, através de ações de vigilância, fiscalização, investigação criminal e sensibilização da população.
No âmbito da prevenção dos incêndios rurais, a Guarda revelou ainda que, desde o início de 2026 e até 27 de julho, foram detidas 155 pessoas suspeitas da prática do crime de incêndio florestal, refletindo a intensificação da investigação criminal e da fiscalização durante o período de maior risco.
Recuperação de milhares de animais selvagens
A atuação do SEPNA estende-se igualmente à proteção da fauna selvagem. Em 2025, a GNR recolheu e recuperou 4.279 animais selvagens, dos quais 2.852 foram encaminhados para o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Entre os animais recuperados destacam-se várias aves de rapina noturnas, como corujas e bufos-reais, enquanto os restantes exemplares foram devolvidos diretamente ao seu habitat natural.
Projetos para proteger espécies ameaçadas
Paralelamente ao combate aos crimes ambientais, a GNR participa em vários projetos europeus do Programa LIFE, destinados à conservação da biodiversidade e à recuperação de espécies em risco.
Entre eles destacam-se o LIFE Lynxconnect, para a recuperação do lince-ibérico, o LIFE Aegypius Return, dedicado ao abutre-preto, o LIFE Wild Wolf, centrado na coexistência com o lobo-ibérico, e o LIFE Rupis, que promove a conservação do britango e da águia-de-Bonelli e o combate ao envenenamento de aves necrófagas em cooperação com as autoridades espanholas.
GNR apela à denúncia de crimes ambientais
A GNR sublinha que a proteção do património natural depende também da colaboração da população e apela à denúncia de comportamentos que coloquem em causa o ambiente, lembrando que mantém disponíveis vários canais de contacto, nomeadamente a Linha SOS Ambiente e Território, a plataforma de denúncia online e o endereço eletrónico do SEPNA.
A Guarda reafirma, assim, o compromisso de continuar a combater os crimes ambientais e a proteger a biodiversidade, numa altura em que os incêndios rurais continuam a representar a maior ameaça ao património natural em Portugal.



