OPINIÃO – A qualidade das massas de água na Europa

OPINIÃO –
A qualidade das massas de água na Europa

Autor: Jorge Dinis Oliveira

A gestão que fazemos da água é sustentável? Como abordar o problema da escassez e, principalmente, da qualidade da água?

Os europeus consomem biliões de metros cúbicos de água principalmente para consumo, agricultura, indústria, produção de energia e turismo. A diversidade e quantidade de massas de água na Europa permitir-nos-ia considerar que este recurso insubstituível é também inesgotável, mas o crescimento populacional, a artificialização de linhas de água, urbanização, industrialização, poluição e secas, como no verão de 2018, são desafios que se colocam aos europeus.

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Nas últimas décadas, e através de diversas diretivas, a UE tem feito esforços significativos para melhorar a qualidade das massas de água. De acordo com o relatório publicado pela Agência Europeia do Ambiente em julho de 2018, e apesar dos esforços levados a cabo pelos diversos estados-membros, a maioria das massas de água superficiais ainda não cumpre os valores de qualidade mínimos estabelecidos para serem de “boa qualidade”.

Apesar de os aquíferos (água subterrânea) europeus serem, em geral, de boa qualidade, somente 40% das águas superficiais monitorizadas (lagos, rios, zonas costeiras) alcançaram o valor mínimo de “boa” ou “elevada” qualidade ecológica entre 2010 e 2015.

Intervir no problema da poluição das massas de água requer um esforço conjunto de todas as partes interessadas, governos e população, pois está em jogo a saúde pública.

As principais causas para o não cumprimento dos parâmetros mínimos nas massas de água superficiais são a presença de nitratos (agricultura), intrusões salinas (zonas costeiras) e descargas industriais.

As massas de água na Europa central, onde se concentra grande parte da população e agricultura mais intensiva, não atingem os valores de qualidade mínimos estabelecidos; apenas 38% de lagos, rios e outras massas de água superficiais o cumprem. Em Portugal, e de acordo com dados disponibilizados pela Agência Portuguesa do Ambiente (2016), 53% das massas de água superficiais obtiveram uma classificação de, pelo menos, “bom”. Na região hidrográfica do Minho e Lima, o valor sobe para 68%. As regiões com maior intensidade agrícola/pecuária ou maior densidade populacional, tal como acontece no resto da Europa, são as que apresentam massas de água com menor qualidade.

Relativamente às massas de água subterrânea, mais de 75% apresenta valores de “bom estado”, com a região hidrográfica do Minho e Lima a apresentar 100% da massa de água com essa classificação.

Com mais informação, melhores decisões. O desafio de monitorização e melhoria da qualidade das massas de água deve continuar e não devemos baixar esforços aos primeiros sinais de melhorias obtidos. Estamos apenas no princípio.

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