A Polícia Judiciária registou 711 casos de abuso sexual de crianças só no primeiro semestre deste ano. A estes, somam-se 21 outros casos de aliciamento de menores para fins sexuais e 293 de lenocínio, que se refere à prática de fomentar, favorecer ou facilitar a prostituição de menores, avança o Jornal Público.
Os crimes registados pela PJ voltaram a ultrapassar os mil casos no ano passado, algo que não acontecia desde 2015.
Segundo revelou o Público, entre 2015 e 2024 foram contabilizados quase 9500 crimes de abuso sexual de menores em Portugal.
Contudo, apenas uma parte reduzida chegou efetivamente a tribunal: no mesmo período foram julgados cerca de 3005 processos e resultaram 2533 condenações.
O fosso entre denúncias e sentenças explica-se, em parte, pela dependência da prova testemunhal e pela dificuldade em obter elementos materiais que confirmem os abusos.
“Há crimes que resultam de denúncias que, afinal, não se confirmam, e outros que são arquivados por falta de provas”, explica Cristina Soeiro, responsável pelo gabinete de psicologia da PJ, ao Público.
O último Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) confirma que os crimes de abuso sexual de crianças, violação e pornografia de menores estão entre os que mais inquéritos originaram em 2024.
No caso do abuso de menores, registou-se um aumento de 38% face ao ano anterior, com a faixa etária dos oito aos 13 anos como a mais afetada.
O documento alerta ainda para novas ameaças associadas ao uso da inteligência artificial em plataformas digitais, que facilita o aliciamento e a exploração de menores através de algoritmos capazes de identificar potenciais vítimas.



