O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul prevê a eliminação das tarifas aplicadas às exportações de azeite e vinho portugueses para a Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, abrindo novas oportunidades para dois dos principais produtos agroalimentares nacionais nos mercados sul-americanos.
De acordo com dados do Ministério da Agricultura, entre 2019 e 2023 Portugal exportou, em média, 276 milhões de euros em azeite e 71 milhões de euros em vinho para os países do Mercosul. O Brasil assume um papel absolutamente dominante, absorvendo cerca de 99% das exportações portuguesas destes dois produtos para a região.
A eliminação das tarifas aduaneiras deverá reforçar a competitividade do azeite e do vinho nacionais, facilitando o acesso a mercados considerados estratégicos e consolidando a posição de Portugal como um dos principais exportadores europeus destes produtos para o Mercosul.
Apesar das perspetivas positivas para estes setores, o acordo tem gerado preocupação entre os agricultores portugueses, sobretudo no setor da carne, que teme uma maior concorrência de produtos provenientes da América do Sul. Os produtores alertam para possíveis perdas, face às diferenças nos custos de produção e nas exigências ambientais e sanitárias impostas aos agricultores europeus.
Portugal importa atualmente do Mercosul sobretudo soja, milho e açúcar, matérias-primas essenciais para a alimentação animal e para a indústria agroalimentar. O impacto global do acordo dependerá, segundo o setor agrícola, da forma como forem implementadas medidas de salvaguarda e de compensação para os produtores mais vulneráveis.
O acordo UE–Mercosul é visto como um passo relevante para o reforço das relações comerciais entre os dois blocos, mas continua a dividir opiniões, equilibrando ganhos claros para alguns setores exportadores com receios significativos noutros segmentos da agricultura europeia.



