O julgamento da Operação Marquês voltou a sofrer um novo adiamento após a renúncia do advogado oficioso de José Sócrates. Marco António Amaro apresentou um pedido de escusa ao Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados, deixando o antigo primeiro-ministro novamente sem representação legal.
A informação, avançada pela SIC, implica uma nova interrupção do processo, cujo reinício das sessões estava previsto para a próxima terça-feira, 17 de março.
Com a renúncia, caberá agora ao Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados proceder à nomeação de um novo defensor oficioso. Após a designação, o advogado terá um prazo de 10 dias para analisar o processo antes de o julgamento poder ser retomado.
Marco António Amaro tinha sido nomeado depois da desistência de Sara Leitão Amaro, que abandonou a defesa de José Sócrates após o tribunal recusar prolongar o prazo de 10 dias concedido para consultar o processo.
Tal como a sua antecessora, o advogado oficioso dispunha de dez dias para estudar os autos. Contudo, acabou por renunciar cerca de uma semana depois de ter levantado a documentação na secretaria do tribunal.
Com esta nova desistência, Marco António Amaro torna-se o oitavo advogado a representar — e posteriormente abandonar — a defesa de José Sócrates ao longo dos 12 anos de duração do processo. Entre os advogados que passaram pelo caso estão João Araújo, entretanto falecido, Pedro Delille, José Preto e Sara Leitão Moreira, que renunciaram após divergências com o tribunal.
A estes juntam-se os advogados oficiosos José Ramos, Inês Louro e Ana Velho, que também abandonaram anteriormente a defesa do antigo chefe do Governo.
A sucessiva substituição de advogados tem contribuído para sucessivos adiamentos do julgamento, um dos processos judiciais mais mediáticos da justiça portuguesa, que investiga suspeitas de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais envolvendo o antigo governante.



