O presidente da Carris, Pedro de Brito Bogas, afirmou que a manutenção do elétrico que descarrilou em Lisboa foi assegurada “escrupulosamente”.
Em declarações aos jornalistas junto ao local do acidente, no centro de Lisboa, o presidente da Carris afirmou que há 14 anos que a manutenção do Elevador da Glória é assegurada por uma empresa externa, e que está em curso um inquérito para apurar se se tratou de um problema de manutenção.
“O protocolo de manutenção foi escrupulosamente respeitado”, afirmou Brito Bogas, sublinhando que a última manutenção geral do Elevador da Glória foi feita em 2002, realizando-se de quatro em quatro anos, mas que o plano prevê também manutenção semanal e mensal e inspeções diárias, que foram realizadas.
FECTRANS QUESTIONA ENTREGA DA MANUTENÇÃO A PRIVADOS
Já os trabalhadores da empresa municipal Carris, em Lisboa, apresentaram “queixas sucessivas” quanto à necessidade de manutenção dos elevadores, inclusive o da Glória que hoje descarrilou, afirmou Manuel Leal, dirigente sindical da Fectrans e do STRUP.
“Fundamentalmente, aquilo que nos parece sobre este acidente é que deve haver um inquérito rigoroso às suas causas […], deve haver este inquérito às causas profundas deste acidente, até porque os trabalhadores já vêm reportando de há muito tempo questões da necessidade da manutenção destes elevadores voltar à responsabilidade dos trabalhadores da Carris e não ser entregue a empresas exteriores, como é o caso concreto do elevador da Glória”, afirmou Manuel Leal, em declarações à agência Lusa.
Representante de todos os trabalhadores da Carris, o dirigente sindical da Fectrans – Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Transportes e Comunicações e do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP) lamentou profundamente as vítimas do descarrilamento do elevador da Glória, sem dispor de informação sobre a situação em que estará o guarda-freio.
“Os próprios trabalhadores iam reportando, de facto, estas diferenças em termos daquilo que a manutenção que há uns anos era feita pelos trabalhadores da Carris e as diferenças para a manutenção que é feita hoje, nomeadamente com queixas sucessivas dos trabalhadores que lá laboram quanto ao nível de tensão dos cabos de sustentação destes elevadores”, adiantou.
Na perspetiva de Manuel Leal, o descarrilamento do elevador da Glória, “lamentavelmente, […] veio dar razão a estas queixas dos próprios trabalhadores e deve levar o Conselho de Administração, perante um inquérito rigoroso a estas causas, a reequacionar a entrega a privados desta manutenção”, fazendo com que a manutenção volte à responsabilidade da qualidade com que os trabalhadores das oficinas da Carris têm sempre colocado na manutenção do material circulante.
O elevador da Glória, em Lisboa, descarrilou esta tarde, pelas 18:04, na Calçada da Glória.



