O Município de Caminha pretende avançar com uma nova ligação fluvial de passageiros à Galiza, enquanto continua a defender a construção de uma ponte internacional entre Caminha e La Guardia, em Espanha. A garantia foi deixada pela presidente da Câmara, Liliana Silva, que confirmou também o fim definitivo da operação do antigo “ferry-boat” Santa Rita de Cássia.
Em declarações aos jornalistas, à margem da assinatura de um protocolo relacionado com a futura Estação Salva-Vidas de Caminha, a autarca explicou que o objetivo passa por assegurar, numa fase transitória, uma solução de mobilidade fluvial para passageiros.
“O que faz parte dos meus planos é a construção de uma ponte internacional que ligue Caminha a La Guardia. Até termos essa ligação efetiva, temos de garantir um meio de transporte para o lado espanhol”, afirmou Liliana Silva, revelando que o município está a trabalhar na aquisição de uma embarcação com capacidade para cerca de 50 a 60 passageiros.
A concretização da nova travessia poderá, contudo, depender do processo de desassoreamento do rio Minho, atualmente em fase de estudo e candidatura a financiamento. Ainda assim, a autarca admite que uma embarcação com menor calado poderá minimizar algumas dificuldades de navegação.
“Se for uma embarcação diferente do antigo ‘ferry-boat’, com um calado mais baixo, poderá ter outras facilidades de circulação. O problema do assoreamento agravou-se muito nos últimos anos”, salientou.
Liliana Silva foi perentória quanto ao futuro do Santa Rita de Cássia, embarcação que assegurou durante décadas a travessia entre Caminha e La Guardia.
“O ‘ferry-boat’ não vai voltar a funcionar”, garantiu, justificando a decisão com os elevados custos de recuperação da embarcação. Segundo explicou, o orçamento necessário ronda os 1,4 milhões de euros, um valor considerado “totalmente incomportável” para as finanças municipais.
Relativamente ao desassoreamento do rio Minho, a presidente da Câmara adiantou que uma primeira intervenção deverá avançar brevemente junto ao pontão da Capitania, sobretudo por razões de segurança ligadas à futura Estação Salva-Vidas. Acrescentou ainda que estão em curso estudos para uma operação mais abrangente, que incluirá não apenas a remoção de areias, mas também de infestantes existentes no leito do rio.
Caminha permanece atualmente como o único concelho do vale do Minho sem ligação rodoviária direta à Galiza, dependendo exclusivamente da travessia fluvial para assegurar a conexão com La Guardia. Ao longo dos anos, o serviço do “ferry-boat” foi várias vezes interrompido devido a avarias e ao progressivo assoreamento do canal de navegação.
A última interrupção ocorreu em maio de 2022, inicialmente devido a problemas estruturais no cais galego e, posteriormente, agravada pelas dificuldades de navegação causadas pelo assoreamento do rio Minho.



