O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) no Alto Minho vai manter este ano os mesmos meios operacionais utilizados em 2025, sem qualquer reforço humano ou material, apesar das previsões meteorológicas consideradas desfavoráveis para o próximo verão.
A informação foi avançada esta sexta-feira pelo comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Alto Minho, Marco Domingos, durante a apresentação do plano de operações para o período crítico de incêndios nos dez concelhos do distrito de Viana do Castelo, realizada em Valença.
Segundo o responsável, o dispositivo será composto por 82 equipas, 404 operacionais, 94 veículos e dois meios aéreos.
“Não há reforço comparativamente ao ano anterior, estabilizámos os números. Portanto, esse será o nosso dispositivo em condições normais, sem prejuízo de poder ser reforçado sempre que necessário”, afirmou Marco Domingos à agência Lusa.
O comandante alertou ainda para as previsões meteorológicas desfavoráveis para os próximos meses, apelando ao envolvimento da população na prevenção dos incêndios rurais.
“É fundamental que o cidadão esteja comprometido com este desiderato. As ignições acontecem muitas vezes por descuidos. Se adotarmos comportamentos responsáveis e mitigadores do risco, garantidamente o dispositivo também vai ser maior”, sublinhou.
“Temos de trabalhar melhor”
Também o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Viana do Castelo, Tiago Cunha, defendeu uma maior articulação entre os concelhos do Alto Minho face à ausência de reforço de meios.
“Se não somos mais homens, se não temos mais veículos ou meios aéreos, temos de ser mais equipa e conseguir mais interoperabilidade e complementaridade. Melhorar a forma de fazer. Se não somos mais, temos de trabalhar melhor”, afirmou o também presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura.
Tiago Cunha destacou ainda a importância da prevenção e do pré-posicionamento de meios técnicos em zonas consideradas críticas.
“Quando isso é feito, ganhamos três horas [de combate ao incêndio]”, afirmou, apelando igualmente à autoproteção e à redução dos comportamentos negligentes relacionados com o uso do fogo.
Já o presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, António Barbosa, mostrou preocupação pela manutenção do atual dispositivo, defendendo que a resposta aos incêndios dependerá sobretudo do planeamento e da vigilância.
“Há uma coisa importante, que é a questão da vigilância, o estarmos atentos, a obrigação do cidadão de não estar à espera, para que sejamos, todos nós, agentes de proteção civil”, afirmou o também presidente da Câmara Municipal de Monção.
Governo exige melhores resultados
No plano nacional, o primeiro-ministro Luís Montenegro afirmou, em março, que o reforço previsto no DECIR 2026 deverá traduzir-se em melhores resultados no combate aos incêndios rurais.
“Se temos muito mais viaturas, máquinas de rasto, mais equipas e disponibilidade, não nos podemos conformar com o mesmo resultado ou resultados piores. Queremos melhores resultados”, declarou o chefe do Governo durante uma visita a Ponte da Barca.
De acordo com a Diretiva Operacional Nacional para 2026, o dispositivo nacional de combate aos incêndios rurais contará, nos meses mais críticos, com 15.149 operacionais, 3.463 viaturas e 81 meios aéreos, representando um ligeiro aumento face ao ano anterior.
No Alto Minho, porém, os meios mantêm-se inalterados, numa altura em que as autoridades alertam para a necessidade de maior coordenação, prevenção e vigilância para enfrentar a época de incêndios que se aproxima.



