A Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela, em Vila Verde, acolhe a exposição “Bordando Inquietudes: do amor romântico ao design ativista”, resultado de um projeto desenvolvido por alunos do 1.º ano do curso de Design Gráfico da Escola Superior de Design do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA).
A mostra nasce de uma reflexão crítica e criativa sobre os seculares lenços de namorados, reinterpretados à luz de problemáticas atuais ligadas ao amor, às emoções e às inquietações sociais. O trabalho resulta de uma proposta pedagógica que levou o património imaterial do território para a sala de aula, desafiando os estudantes a criar mensagens bordadas com uma linguagem contemporânea.
O projeto foi desenvolvido em parceria com a Aliança Artesanal e o Município de Vila Verde, sendo coordenado pelos docentes Susana Dias e Manuel Granja, com a participação científica da doutoranda Miriam Zanini.
Na inauguração, Susana Dias explicou que o desafio lançado aos alunos passou por “trabalhar os lenços dos namorados para que os estudantes fiquem enriquecidos e se tornem também portadores deste conhecimento”. Segundo a docente, o objetivo foi “criar mensagens a partir do amor com uma visão contemporânea” e olhar o lenço “noutra perspetiva, como instrumento de comunicação e até de ativismo”.
Miriam Zanini referiu que esta experiência integra a sua investigação de doutoramento, destacando a importância do projeto como estudo de caso que cruza tradição e design contemporâneo. Já Manuel Granja sublinhou o papel do ensino artístico como espaço de provocação criativa, afirmando que se trata de “arte têxtil ativista” que convida à reflexão crítica.
LENÇOS SAÍRAM DO BAÚ para se tornarem objeto de investigação académica e criação artística
Em representação do município, Manuel Lopes, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, considerou que os trabalhos expostos transmitem “mensagens impactantes e cheias de esperança”, reforçando a ideia de que “o coração amoroso continua a ser um valor essencial”.
Por sua vez, a presidente da autarquia, Júlia Fernandes, salientou que a exposição demonstra como “os lenços saíram do baú” para se tornarem objeto de investigação académica e criação artística. “É excelente absorver as reflexões e inquietudes destes alunos e perceber que as universidades estão hoje envolvidas na valorização científica e cultural das nossas tradições”, afirmou, acrescentando que o projeto conseguiu “trazer contemporaneidade a uma herança que continua a transmitir afetos”.
A exposição ficará patente ao público até ao próximo dia 13 de março, constituindo uma oportunidade para conhecer os lenços de namorados sob uma nova perspetiva, onde o amor tradicional se cruza com o design e a intervenção social.
No dia 7 de março está ainda prevista uma palestra e o lançamento do catálogo da exposição, que dará origem a um artigo científico sobre a experiência desenvolvida.







































































