A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou 8.540 pessoas idosas vítimas de crime e violência entre 2021 e 2025, num total de 15.804 crimes e outras formas de vitimação registadas. Os dados constam das mais recentes Estatísticas APAV | Pessoas Idosas Vítimas de Crime e Violência | 2021-2025, divulgadas pela instituição, e revelam um aumento de 26,5% no número de vítimas acompanhadas ao longo do período analisado.
Segundo o relatório, a violência doméstica continua a representar a esmagadora maioria das situações registadas, correspondendo a 78,9% dos casos acompanhados pela associação. Seguem-se os crimes de ameaça ou coação (3,7%), ofensa à integridade física (3,2%), difamação ou injúria (3%) e burla (2%).
O perfil das vítimas evidencia uma predominância feminina. Das pessoas idosas apoiadas pela APAV, 76,3% eram mulheres, enquanto a faixa etária entre os 65 e os 74 anos concentrou quase metade dos casos (49,4%). A maioria das vítimas possuía nacionalidade portuguesa (92,7%).
Os dados revelam ainda que a violência contra pessoas idosas ocorre sobretudo em contexto familiar. Em 32,3% das situações, o agressor identificado era um filho ou filha da vítima. O cônjuge surge como segundo principal autor das agressões, representando 21,5% dos casos. A maioria das pessoas agressoras era do sexo masculino (55,9%).
Uma das conclusões mais preocupantes do estudo prende-se com a persistência da violência ao longo do tempo. Mais de metade das vítimas apoiadas pela APAV (53,6%) encontrava-se em situação de vitimação continuada. Entre estas, 23,4% viveu episódios de violência durante um período compreendido entre dois e seis anos antes de procurar ajuda.
O relatório destaca igualmente que 46,6% das vítimas não apresentou queixa nem viu a sua situação denunciada às autoridades, evidenciando a existência de barreiras à denúncia e à procura de apoio.
Para a APAV, os números reforçam a necessidade de continuar a investir na prevenção, na deteção precoce e no acompanhamento especializado das pessoas idosas vítimas de crime e violência. A associação alerta também para a importância da sensibilização da sociedade para uma realidade frequentemente silenciosa e invisível.
A instituição disponibiliza apoio jurídico, psicológico e social gratuito e confidencial através da Linha de Apoio à Vítima 116 006, em funcionamento nos dias úteis entre as 8h00 e as 23h00, bem como através do Chatbot APAV e da sua rede nacional de gabinetes e estruturas de proximidade.
Perante o envelhecimento da população portuguesa, a APAV considera fundamental reforçar mecanismos de proteção e apoio, garantindo que as vítimas idosas encontram respostas eficazes e acessíveis para quebrar ciclos de violência que, em muitos casos, permanecem ocultos durante anos.



