O balanço da Operação Páscoa 2026 deixou um alerta grave sobre a segurança rodoviária em Portugal: 20 mortos, 53 feridos graves e 845 feridos ligeiros, num total de 2.602 acidentes registados entre 2 e 6 de abril, segundo dados das autoridades.
Face ao mesmo período de 2025, em que tinham sido registadas cinco vítimas mortais, o número de mortes quadruplicou. Também a Polícia de Segurança Pública (PSP) reportou este ano seis vítimas mortais, depois de no ano anterior não ter registado óbitos durante a operação.
Perante estes números, a Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), representante em Portugal do Movimento Maio Amarelo, reforça o apelo à mobilização da sociedade civil para combater a sinistralidade nas estradas.
O movimento internacional, originário do Brasil, encontra-se já em curso em Portugal e reúne entidades públicas e privadas em ações de sensibilização ao longo do mês de maio. A campanha deste ano assenta na mensagem “No trânsito, ver o outro é salvar vidas”, sublinhando a importância da atenção, do respeito e da responsabilidade individual na condução.
“O problema não é falta de informação, é a dificuldade em mudar comportamentos”, afirmou o presidente da PRP, Alain Areal, apontando como principais causas dos acidentes o excesso de velocidade, o consumo de álcool e a distração ao volante.
Portugal continua, segundo a PRP, entre os países da União Europeia com piores indicadores de sinistralidade rodoviária grave, com custos socioeconómicos estimados em cerca de 3% do Produto Interno Bruto. Apesar do reforço da fiscalização, persistem comportamentos de risco como o uso do telemóvel durante a condução e a condução sob influência de álcool.
Ao longo do mês, o Movimento Maio Amarelo promove iniciativas de sensibilização em vários países, envolvendo organizações da sociedade civil, empresas e entidades públicas. Em Portugal, a PRP assume o papel de entidade coordenadora da campanha, incentivando a adesão de instituições e cidadãos.
“A segurança rodoviária não depende apenas das autoridades. É uma responsabilidade partilhada. Cada comportamento conta”, reforçou Alain Areal, apelando a uma mobilização alargada para reduzir a sinistralidade nas estradas portuguesas.




