VILA VERDE (Discursos 25 de Abril)

VILA VERDE (Discursos 25 de Abril) -

Arantes fala em «lutar pela sobrevivência», Vilela pede «capacidade de mobilização», PSD quer que «o tempo volte a andar» e PS assinala «limitações à liberdade»

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«É hora de lutarmos pela nossa sobrevivência, em resposta à pandemia que ameaça a humanidade. Relembremos dentro de portas todos aqueles que lutaram pela nossa liberdade». É nestes moldes que o presidente da Assembleia Municipal de Vila Verde, Carlos Arantes, se dirige aos vilaverdenses no dia em que se celebra o 46º aniversário do “25 de Abril de 1974”.

Invariavelmente, o tema do momento marca os discursos dos representantes partidários no órgão deliberativo municipal neste 25 de Abril. As mensagens de esperança são a tónica geral: «Só com a mesma capacidade de mobilização e o esforço de superação dos capitães de Abril é que ultrapassaremos esta fase difícil», assinala o presidente da câmara, António Vilela.

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«É um esforço colectivo, em nome do bem-comum, para a esperança o tempo ganhar», vinca o porta-voz do PSD, José Manuel Lopes, enquanto o PS, pela “pena” de Samuel Estrada, vai mais longe: «a democracia, a liberdade e os sonhos de Abril não foram, ainda, totalmente alcançados».

O hastear da bandeira, na presença de uma dezena de representantes partidários, e a disponibilização de discursos, marcou simbolicamente as cerimónias comemorativas do 46º aniversário do 25 de Abril de 1974 em Vila Verde, realizadas esta manhã.

DISCURSOS

Os discursos, apenas disponíveis em versão digital, lembram as conquistas de Abril. Falam nos desafios do presente e lançam a esperança no futuro.

 

CARLOS ARANTES (Presidente da Assembleia Municipal: «É hora de lutarmos pela nossa sobrevivência, em resposta à pandemia que ameaça a humanidade».

O Município de Vila Verde e os Vilaverdenses,  todos os anos, no dia 25 de Abril, em sessão solene, homenageiam e relembram os ideais de Abril, num ato de respeito e de memória de um dia que marcará para sempre a historia dos Portugueses.

Este ano, pelas óbvias razões que todos conhecemos, a sessão protocolar do 25 de Abril de 1974, não se realizará no modelo tradicional em Vila Verde.

Nas nossas casas, com a nossa família, no confinamento social, que, convenhamos, devemos todos respeitar, o espirito de Abril estará certamente presente também.

É hora de lutarmos pela nossa sobrevivência, em resposta à pandemia que ameaça a humanidade.

A todos está a ser exigido algo sem precedentes, mas que as circunstâncias assim o exigem.

Temos de ser racionais, disciplinados, e temos todos de ter um grande sentido cívico.

É essencial perceber que vivemos uma guerra silenciosa contra algo invisível, que pode bater à porta de qualquer um de nós.

Não temos de ser fatalistas, nem temermos o nosso medo.

Mas temos de viver com o respeito e com a solidariedade necessária para enfrentar os dias que vivemos.

Deixo-vos uma mensagem de esperança.

Relembremos dentro de portas todos aqueles que lutaram pela nossa liberdade.

Aclamemos todos aqueles profissionais que, nesta altura, nos lares, nos hospitais, nas forças de segurança e em todos os serviços onde se impõe assegurar os serviços essenciais, elevam o sentido da solidariedade humana. Um bem-haja a estes heróis também.

Deixo também uma palavra de agradecimento a todos os autarcas que, estando mais próximos das populações que os elegeram, tem sido incansáveis e feito um trabalho extraordinário para que nada falte a ninguém, especialmente aos mais idosos e mais frágeis.

A democracia, fora do confinamento não pode valer menos do que a democracia dentro dos nossos lares, num ato de consciência social.

Relembremos que hoje, somos livres nos nossos direitos liberdades e garantias, mas, ao mesmo tempo, reféns da nossa condição humana.

Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Viva o 25 de Abril

Saudações cordiais a todos vós,

O presidente da Assembleia Municipal,

Carlos Arantes,

ANTÓNIO VILELA (Presidente da Câmara Municipal de Vila Verde): «Só com a mesma capacidade de mobilização e o esforço de superação dos capitães de Abril é que ultrapassaremos esta fase difícil».

Caras(os) Vilaverdenses,

Há 46 anos, o sonho de libertar o país do medo e da opressão, com uma esperança renovada no futuro, começou a ser construído.

Portugal saiu do isolamento e do marasmo que o tolhiam e iniciou o merecido caminho da prosperidade e do bem-estar.

O percurso até aqui não foi fácil. Foi necessário soltar as amarras de quase meio século de autoritarismo e de repressão, de um obscurantismo que, tristemente, votou o nosso país ao imobilismo e ao atraso.

Neste dia em que comemoramos a democracia e a liberdade e em que prestamos a nossa homenagem aos capitães de Abril e a todos aqueles que, com coragem e patriotismo, tornaram possível a concretização do sonho de milhões de portugueses, enfrentamos, 46 anos depois, novamente um grande desafio. Desta feita um inimigo invisível, o vírus Covid-19.

Só com a mesma capacidade de mobilização e o esforço de superação dos capitães de Abril é que ultrapassaremos esta fase difícil.

A resposta que está a ser dada pelos Portugueses, e em particular pelos Vilaverdenses, à pandemia do Covid-19 é paradigmática da maturidade democrática e da elevação cívica de um povo que enfrenta a tormenta com uma vontade férrea e que não soçobra perante a forte adversidade.

O poder local, uma vez mais, voltou a demonstrar estar à altura das exigências, colocando-se ao lado das pessoas, porque é, de facto, um genuíno e efetivo poder de proximidade.

Em Vila Verde, as Juntas de Freguesia, as IPSS, os Bombeiros Voluntários, a GNR, os Centros de Saúde e os diversos profissionais de saúde têm realizado um trabalho hercúleo na intransigente defesa da saúde das pessoas, tudo fazendo para salvaguardar o bem-estar de todos e principalmente dos mais vulneráveis.

Durante este período difícil, também os agentes económicos Vilaverdenses demonstraram um grande sentido de responsabilidade através da adoção de medidas, no sentido de diminuírem e evitarem a propagação do vírus.

O Município de Vila Verde orgulha-se deste trabalho em rede e desta parceria consistente e eficaz que está a ser desenvolvida em benefício das pessoas.

No âmbito da criação destas sinergias, foi elaborado e está a ser implementado um Plano de Ação destinado a combater a propagação do vírus, contemplando medidas concretas de apoio às pessoas e às instituições e de proteção e estímulo às atividades económicas locais.

A este nível, foram ainda criados dois Centros de Testes Covid-19 para testar todas as pessoas com sintomas e todas as equipas de serviço nos lares e apoio domiciliário. O Município de Vila Verde adquiriu dois mil testes para rastrear, também, todos os idosos institucionalizados nos lares ou que usufruem de apoio domiciliário.

Este esforço sistemático e persistente prossegue com a distribuição de material de proteção a todas as pessoas que realizam serviços essenciais e que permanecem na linha da frente no combate à pandemia.

A par desta estratégia de defesa da saúde de todos, continuou a intensa atividade do Município no sentido de garantir que Vila Verde se mantém no caminho da construção de um território coeso, moderno e competitivo, onde todos encontrem cada vez melhores condições de vida.

De facto, a vida, em Vila Verde, não parou. Está em curso a concretização de um volumoso plano de investimentos estratégicos em setores de vital importância para o desenvolvimento do concelho, com especial incidência na requalificação de vias de comunicação estruturantes.

Neste dia em que também se celebra o nascimento do poder autárquico verdadeiramente democrático, deixo, aqui, a total garantia de que continuaremos a trilhar o progresso em sintonia com as forças vivas do nosso território e perseguindo a meta da afirmação de Vila Verde como um território inclusivo, com excelentes oportunidades para todos os residentes e para os empreendedores que aqui realizarem novos projetos de investimento gerador de riqueza e de emprego.

Abril faz-se, todos os dias, com este esforço coletivo centrado na construção de um território moderno e na busca incessante do progresso e do bem-estar das pessoas.

Permitam-me que termine com uma mensagem de coragem e conforto para todos(as) os(as) Vilaverdenses e respetivas famílas que estão a lidar mais de perto com esta pandemia do Covid-19. Com redobrados cuidados, sem baixar a guarda, vai ser possível o regresso gradual à atividade social, económica e cultural e a uma vida progressivamente livre do medo e da ameaça invisível que tem vindo a pairar sobre todos nós.

Viva o 25 de Abril!
Vila Vila Verde!
Viva Portugal!

JOSÉ MANUEL LOPES (Bancada do PSD): «Esta é a revolução do tempo. Ganhar tempo para que o tempo volte a andar!»

A revolução do tempo!

Vivemos tempos difíceis, tempos diferentes, tempos de incerteza, tempos em que só com tempo perceberemos os tempos futuros.

“É tudo uma questão de tempo”, como se apregoa nestes tempos.

E este é o tempo de afirmar que nunca as conquistas do 25 de Abril de 1974 continuam tão actuais.

As liberdades fundamentais – de circulação, de expressão e de informação – não devem ser esquecidas. Devem ser reafirmadas e colocadas como condição essencial para que o tempo não volte atrás.

O Povo português – os vilaverdenses, em particular – percebeu que este é um tempo de parar, por forma a ganhar tempo para que o tempo não volte a parar. Mas para alguns também é tempo de agir e de continuar, por isso, queremos agradecer a todos os profissionais de saúde, forças de segurança, trabalhadores dos setores essenciais, das IPSS, de tantas instituições e organizações, Municípios e Juntas de Freguesia, que continuam de forma incansável a dar o seu tempo para os outros e para o bem de todos. Este também é o espírito de Abril que continua bem vivo entre nós!

É um esforço colectivo, em nome do bem-comum, para a esperança o tempo ganhar.

Como no 25 de Abril de 1974 e dos anos que se seguiram, até aos tempos de hoje, a união e determinação dos portugueses são essenciais na luta contra o vírus dos tempos que correm.

Continuamos juntos, irmanados no mesmo pensamento: vai ficar tudo bem!

Sairemos desta “batalha” mais fortes, mais resistentes, mais determinados e melhor preparados para conquistar novos desafios.

Os novos tempos serão, certamente, mais desafiadores, mas o tempo volta a ensinar-nos que só com tempo poderemos voltar a sentir os novos ventos da mudança que se adivinham.

Esta é a revolução do tempo. Ganhar tempo para que o tempo volte a andar!

Viva Vila Verde!

Viva Portugal!

SAMUEL ESTRADA (Bancada do PS): «A democracia, a liberdade e os sonhos de Abril não foram, ainda, totalmente alcançados nem são, tão pouco um direito adquirido»

Os sonhos e as ameaças de Abril.

As celebrações do 46º aniversário da Revolução de Abril (em Vila Verde, tristemente,  limitadas ao hastear da bandeira) são assombradas por um inimigo, invisível mas já lendário, chamado Covid-19, que determinou a declaração do estado de emergência com as inerentes limitações à liberdade durante o mês em que ela, ironicamente, se celebra.

Temos, por isso, redobradas razões para assinalar com entusiasmo o momento em que pusemos termo à ditadura que condenou Portugal e os portugueses à miséria, ao isolamento, ao analfabetismo e ao obscurantismo do medo durante intermináveis décadas numa espécie de “coma” sócio-político a que fomos reduzidos e do qual despertamos naquela “manhã clara” da primavera de Abril…

Todavia, a democracia, a liberdade e os sonhos de Abril não foram, ainda, totalmente alcançados nem são, tão pouco um direito adquirido, são uma uma luta contínua contra ameaças permanentes  das quais destaco quatro que têm manifestações quer a nível nacional, quer a nível local:

  1. A corrupção é sem dúvida uma das maiores pragas da democracia, que para além de causar prejuízos materiais ao estado, é fonte de degradação da vida pública, descrédito das instituições, erosão  do carácter, desmoralização e de descrença da classe política e da própria democracia. O combate à corrupção merece por isso a nossa atenção inteira e dedicação absoluta.
  2. A liberdade de imprensa e de expressão foram as vitórias mais rapidamente alcançadas com a revolução de abril que determinou o fim da censura. Mas volvidos 46 anos será que podemos dizer que a imprensa é de facto Livre? E subordinada apenas à verdade? Sentimos cada vez mais a imprensa algemada a linhas editoriais ocultas e condicionadas por grupos económicos a nível nacional e ao nível local a um sistema de dependência da “ordem estabelecida” que a alimenta miseravelmente. Não espanta, por isso, que a impressa se dedique tantas vezes – ora de forma subliminar ora de modo declarado –  a campanhas promoção ou de aviltamento. A democracia precisa de controlo e equilíbrio de poderes e por isso não pode viver sem a verdade que só uma imprensa livre garante: a verdade quando é inteira ilumina, dispensa vinganças e abre as portas para a reconciliação e para a criação.
  3. A degeneração dos partidos é outra ameaça aos sonhos de abril. Proibidos até à revolução, os partidos são essências a uma democracia porém desde cedo foram substituindo as convicções pelas ambições. Essa ambição deixa para segundo plano os objectivos primários dos partidos obrigando-os a fazer constantes perversões e concessões ao seu ideário para alcançar o poder (que se tornou um fim). Uma vez no poder, os partidos voltam a adiar os seus ideários e caem numa nova tentação: a luta pela sua manutenção. Isto obriga-os a maiores e perniciosas concessões das convicções (quando ainda as há) gerando assim, sobretudo ao nível local, uma fauna política complexa que se serve do poder para se perpetuar nele criando uma “teia”que parece, muitas vezes, inquebrável!
  4. Os ventos populistas são também uma ameaça séria à democracia e crescem a cada dia animados pela eleitoralismo e  pela demagogia primária esquecendo o bem comum e vivendo  para agradar, para caçar likes e partilhas nas redes sociais, para a popularidade, para a mentira, no fundo, ignorando a responsabilidade social indispensável às democracias.

Mas não podemos deixar que os sinais de arrivismo, de obsessão do poder, de ganância, de corrupção e outras ameaças à democracia que sem têm manifestado nos conduza ao desencanto.

Aproveito, assim, para exortar os vilaverdenses para que continuem a exercer a liberdade  e a cidadania. Não apenas a liberdade formal mas também a efectiva, aquela que se faz sem medo do (des)emprego, da licença, do subsídio , do muro, do amigo, da promessa …

Afinal a luta da democracia ainda agora começou  e ninguém se pode demitir  ou dar ao luxo e à irresponsabilidade de baixar os braços. A democracia não sobrevive com cidadãos não praticantes. A democracia não pode ficar ao abandono. Carece de cultivo e dos cuidados de cada um de nós, só assim poderemos controlar estas pragas e outras que a invadem. Só assim cumpriremos os sonhos de Abril…

Samuel Estrada

[email protected]

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