O empresário português Armando Pereira, antigo patrão da Altice e um dos principais arguidos da Operação Picoas por suspeitas de ter desfalcado a empresa em Portugal, foi alvo de buscas em França, onde as autoridades abriram uma investigação por corrupção do setor privado.
De acordo com o Jornal de Notícias, em causa está uma investigação aberta pelo “Parquet National Financier” (PNF), o equivalente ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) português, mas que trata apenas de questões financeiras.
As buscas incidiram em cerca de 30 residências e empresas, localizadas em diversos pontos do território francês.
Segundo o procurador do PNF, Jean-François Bohnert, a operação “teve como objetivo recuperar provas úteis para a continuação das investigações”. Ao todo, foram apreendidos mais de 14 milhões de euros em contas bancárias, mas também em veículos e artigos de luxo.
De acordo com as autoridades francesas, sob investigação está “um vasto sistema de corrupção por atos descritos, em particular, como corrupção privada, fraude organizada e lavagem de dinheiro organizada, em detrimento do grupo Altice”.
Ainda de acordo com o Ministério Público francês, que abriu a investigação dois meses depois da detenção de Armando Pereira em Portugal, o esquema “baseia-se numa rede de empresas de fachada interpostas entre a Altice e certos fornecedores, o que permitiu a sobrefaturação de serviços e bens”. O dinheiro da sobrefaturação seria depois canalizado para circuitos internacionais de branqueamento de capitais.
Em em junho de 2023, o MP português lançou a Operação Picoas que envolveu cerca de 90 buscas e que resultou na detenção de Armando Pereira e do seu alegado braço-direito, Hernâni Vaz Antunes.
Armando Pereira está indiciado pelo Ministério Público (MP) de 11 crimes, entre os quais seis de corrupção ativa e um de corrupção passiva no setor privado, além de quatro de branqueamento de capitais e crimes não quantificados de falsificação de documentos.



