No Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, que se assinala esta terça-feira, o núcleo de Vila Verde do Bloco de Esquerda (BE) reafirma o seu “compromisso no combate a todas as formas de violência de género, que afetam milhares de mulheres em Portugal”.
“Este ano, pelo menos 24 mulheres foram mortas em contexto de violência doméstica e, até setembro, o número de queixas atingiu o valor mais elevado dos últimos sete anos: 25.327. Esta grave violação dos direitos humanos pode manifestar-se através de agressões físicas, psicológicas ou sexuais, entre outras formas, e constitui um problema social e estrutural que exige ação imediata e continuada”, refere o BE, em comunicado.
O Bloco salienta que, “apesar do reforço das medidas de apoio, incluindo o acolhimento de 1.419 vítimas pela Rede Nacional de Apoio e a aplicação de 1.134 medidas de coação a agressores, o desafio permanece”.
“No distrito de Braga, os dados relativos à violência doméstica revelam uma realidade particularmente preocupante. Em 2024, o Gabinete de Apoio à Vítima de Braga (APAV) acompanhou 2.197 pessoas, associadas a 3.095 crimes e outras formas de violência, sendo a maioria das vítimas mulheres, o que vai ao encontro das estatísticas nacionais da APAV, que indicam que 76,3% das vítimas são do sexo feminino. Nesse mesmo ano, foram registados 2.856 crimes de violência doméstica no distrito”, acrescenta.
Já em 2025, entre janeiro e agosto, 12,6% das vítimas apoiadas pela APAV em todo o país residiam no distrito de Braga, “o que demonstra a persistência de níveis elevados de vitimação feminina nesta região. Acresce ainda que dados recentes mostram que 63% dos jovens em relações afetivas reportam ter sofrido algum tipo de violência, e 68,1% legitimam comportamentos abusivos”.
FENÓMENO AMPLO
“Contudo, a violência contra as mulheres não se limita ao crime de violência doméstica; trata-se de um fenómeno mais amplo, que se manifesta também nos espaços públicos. No trabalho, nas escolas, nos locais de convívio e até nas redes sociais, o assédio sexual continua a aumentar”, diz também o BE.
Para os bloquistas, “a violência sexual, expressa não só em violações mas também noutros crimes sexuais, tem igualmente vindo a crescer no país. As vítimas incluem mulheres, jovens e crianças, que sofrem não só com a falta de resposta eficaz da justiça, mas também com o estigma social. Importa ainda referir a violência online, através da partilha não consentida de imagens íntimas, muitas vezes obtidas sem o conhecimento da vítima”.
“O combate à violência de género exige mudanças profundas na justiça, no acompanhamento das vítimas e na educação para a igualdade, fundamentais para prevenir estes crimes. Esta luta passa também pela igualdade salarial, pelos direitos laborais e pela garantia de oportunidades iguais. Neste dia, reconhecemos o trabalho de todas as organizações locais que acolhem vítimas e lhes asseguram proteção, segurança e apoio jurídico e emocional, bem como o contributo dos movimentos ativistas que diariamente combatem a desigualdade de género”, assinala.
JUSTIÇA MAIS EFICAZ
Por isso mesmo, nesta data, o núcleo de Vila Verde do BE “reivindica um sistema de justiça mais eficaz, com políticas que defendam plenamente os direitos das vítimas e promovam uma sociedade mais justa”.
“Por fim, o Núcleo do BE Vila Verde presta homenagem a todas as mulheres vítimas de violência, reafirmando o seu compromisso em lutar ao seu lado contra qualquer forma de discriminação. Saúda também todas as iniciativas convocadas para esta ocasião e o trabalho incansável de quem continua a lutar pela igualdade de género”, conclui o texto.



