As forças dos Estados Unidos anunciaram que vão avançar, a partir desta segunda-feira, com um bloqueio naval aos portos do Irão, na sequência do fracasso das negociações bilaterais para travar o conflito em curso. A medida foi comunicada pelo Comando Central dos Estados Unidos, que garante que a operação será conduzida “de forma imparcial”.
Segundo a nota divulgada, o bloqueio entra em vigor às 14h00 GMT (15h00 em Lisboa) e abrangerá “navios de todas as nacionalidades que entrem ou saiam dos portos e zonas costeiras iranianas”, incluindo infraestruturas situadas no Golfo da Arábia e no Golfo de Omã.
A decisão surge após mais de 20 horas de negociações em Islamabad, no Paquistão, que terminaram sem acordo entre as delegações norte-americana e iraniana. Na sequência, o presidente Donald Trump confirmou a intenção de bloquear também o estratégico Estreito de Ormuz, justificando a medida com a recusa de Teerão em abandonar o que classificou como “ambições nucleares”.
Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irão advertiu que qualquer aproximação de navios militares ao estreito será considerada uma violação do cessar-fogo, aumentando o risco de confronto direto numa das principais rotas energéticas globais.
Entretanto, de acordo com o The Wall Street Journal, a administração norte-americana está também a ponderar retomar ataques militares limitados contra alvos iranianos, numa escalada que poderá agravar ainda mais a instabilidade regional.
No plano diplomático, Donald Trump voltou a gerar polémica ao criticar Leão XIV, acusando o Papa de ser “fraco no combate ao crime e péssimo para a política externa”. As declarações surgem após o líder da Igreja Católica ter denunciado a “ilusão de omnipotência” como um fator impulsionador do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.
A nível internacional, o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, afirmou que o seu Governo não foi convidado a participar no bloqueio e apelou à retoma das negociações diplomáticas.
Apesar das crescentes ameaças, incluindo declarações de Trump sobre a possibilidade de destruir infraestruturas energéticas iranianas — “Eu poderia acabar com o Irão num dia”, afirmou à Fox News —, Teerão mantém uma posição firme. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, rejeitou ceder à pressão externa: “Se vocês lutarem, lutaremos, e se vierem com lógica, lidaremos com lógica. Não cederemos a nenhuma ameaça”.
O anúncio do bloqueio marca um novo ponto crítico na escalada de tensões no Médio Oriente, com potenciais impactos significativos no comércio global e na segurança energética internacional.



