A cidade de Braga voltou a mergulhar na solenidade da Semana Santa com a realização da Procissão do Enterro do Senhor, considerada a mais imponente manifestação pública de fé do calendário religioso local.
Organizada pelo Cabido da Sé, pela Comissão da Semana Santa, pela Irmandade de Santa Cruz e pela Irmandade da Misericórdia, a procissão recria o momento da morte e deposição de Jesus Cristo, num ambiente marcado pelo silêncio e pela contemplação.
Presidido este ano pelo Núncio Apostólico em Portugal, o cortejo percorreu o centro histórico da cidade, reunindo milhares de fiéis e visitantes. À semelhança de um cortejo fúnebre, a procissão integrou a urna com a imagem de Cristo morto e o andor de Nossa Senhora da Soledade, sendo aberta pelo andor “Consummatum Est”, numa versão contemporânea.
Ao longo do percurso, os participantes desfilaram de cabeça coberta, com véus de luto, acompanhados por bandeiras e estandartes com tarjas negras, arrastados pelo chão em sinal de pesar. As luzes reduzidas e o silêncio quase absoluto reforçaram a intensidade do momento.
Em contraste com a Procissão do Senhor Ecce Homo, realizada na noite anterior, marcada pelo som das matracas e fogaréus, nesta cerimónia os farricocos mantiveram-se em silêncio, com os fogaréus apagados, sublinhando o caráter fúnebre da celebração.
O silêncio foi apenas interrompido pelo som grave das bandas filarmónicas, nomeadamente a Banda de Calvos, da Póvoa de Lanhoso, e a Banda de Cabreiros, de Braga, cujas interpretações contribuíram para um ambiente de reflexão e espiritualidade.
Considerada a maior e mais solene das procissões bracarenses, a Procissão do Enterro do Senhor voltou a afirmar-se como um momento de forte expressão religiosa, cultural e identitária, transformando as ruas da cidade num espaço de fé, memória e devoção coletiva.
[email protected] / Fotos: Município de Braga
































































