Moradores da Rua da Manobra, na freguesia de Cabanelas, concelho de Vila Verde, denunciam um problema que afirmam arrastar-se há vários anos e que associam a alegadas descargas provenientes da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) local para a Vala de Drenagem que segue em direção ao rio Cávado.
A população descreve a situação como um “grave problema de saúde pública”, apontando odores intensos e persistentes, proliferação de mosquitos e presença de insetos rastejantes, especialmente durante os meses de maior calor.
A presidente da Junta de Freguesia de Cabanelas, Anabela Rei, refere que a situação tem vindo a ser acompanhada pelas entidades locais, sublinhando a existência de sucessivas queixas por parte dos moradores.
“Temos os moradores constantemente a denunciar esta situação. Temos registos fotográficos e vídeos do que ocorre, que entendemos que não será água devidamente tratada nas condições necessárias para ser descarregada nesta vala”, afirmou.
A autarca acrescenta que o impacto se faz sentir ao nível ambiental e sanitário, alertando para a utilização frequente da zona por população em caminhadas e atividades ao ar livre.
“Há mau cheiro constante, há excesso de mosquitos quando vem a época do calor e preocupa-nos sobretudo a saúde pública de todos os que aqui vivem e passam”, referiu.
Moradores falam em situação “insuportável”
Entre os residentes, o cenário é descrito como difícil de suportar. Francisco Macedo, morador na Rua da Manobra, afirma que o problema se mantém sem resolução efetiva.
“É um suplício… não se pode abrir as portas por causa do cheiro. Esta água não é tratada como deve ser e provoca uma mosquitada”, referiu.
O morador acrescenta que a situação afeta diretamente o quotidiano da sua família. “Tenho a minha mãe com 94 anos, com oxigénio, e não pode abrir as portas por causa dos cheiros”, disse, referindo ainda que já foram apresentadas várias queixas sem resultados visíveis.
Cheiros, mosquitos e preocupações ambientais
Os residentes relatam que os problemas se agravam no verão, com aumento significativo de mosquitos e intensificação dos odores. Alguns apontam ainda alterações no comportamento da vala, referindo que o escoamento se mantém durante todo o ano.
A zona é também utilizada para caminhadas e percursos pedonais, o que aumenta a preocupação da população quanto a eventuais impactos na qualidade ambiental e na saúde pública.
Associação do Regadio do Cávado alerta para impacto ambiental
A Associação de Beneficiários do Regadio do Cávado também manifesta preocupação com a situação, alertando para efeitos na zona agrícola envolvente.
O representante da associação, Fernando Xavier, recorda que já tinham sido levantadas reservas antes da construção da infraestrutura.
“Na altura da construção, chamámos a atenção para o perigo que isto ia causar”, afirmou.
A associação aponta impactos como degradação da vegetação ribeirinha, acumulação de sedimentos e odores intensos, defendendo uma intervenção estrutural.
Apelo a intervenção urgente e concertada
A entidade defende a necessidade de articulação entre autarquias, Agência Portuguesa do Ambiente e demais entidades competentes.
“O que propomos é um entendimento entre as partes para melhor percebermos como resolver este assunto”, referiu Fernando Xavier.
A associação alerta ainda para alegadas falhas no sistema de drenagem e possíveis episódios de transporte de efluentes para o rio Cávado, defendendo uma intervenção de fundo que permita mitigar impactos ambientais e agrícolas na região.
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