A Câmara de Guimarães aprovou por maioria um orçamento de 220 milhões de euros para 2026, o mesmo valor deste ano, com o voto favorável dos eleitos do PSD/CDS e do vereador do Chega e com a abstenção dos quatro vereadores do PS.
Em comunicado, a autarquia descreve as Grandes Opções e o Orçamento Municipal para 2026 como “um exercício de responsabilidade política, rigor técnico e transparência”, acrescentando que o orçamento “não é apenas um documento contabilístico, mas o arranque de um novo ciclo político de governação municipal, assente nos pilares da área social, inovação e competitividade do território”.
Citado no comunicado, o presidente deste município do distrito de Braga diz que “as receitas correntes superam as despesas correntes”, o que permite gerar um saldo de 27 milhões de euros, destinado a reforçar o investimento municipal.
Segundo Ricardo Araújo, trata-se de “um orçamento equilibrado”, capaz de garantir investimento “sem colocar em causa a sustentabilidade financeira do futuro”, salientando que o investimento global previsto aproxima-se dos 131 milhões de euros.
“Um fortíssimo investimento público nas áreas da saúde, educação, mobilidade e habitação; a redução da carga fiscal municipal; e um compromisso claro em resolver problemas estruturantes de Guimarães”, sublinha o presidente da Câmara de Guimarães.
O autarca destaca o impacto do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e do programa PT2030, lembrando que 2026 é o último ano para execução das obras do PRR.
“Estamos a falar de um pacote de investimentos de 65 milhões de euros, dos quais cerca de 50% são financiados pelo PRR e os restantes 50% pela Câmara Municipal”, explica Ricardo Araújo.
Araújo assume “uma mudança na política fiscal municipal, que será mais amiga das famílias e dos vimaranenses”.
“Cumprimos os nossos compromissos. Este orçamento prevê uma fiscalidade mais inteligente, mais amiga das famílias, dos vimaranenses e da competitividade. Assim, será proposta a redução da taxa de IMI de 0,32% para 0,31% e uma redução de 0,25% na participação variável do IRS, com o objetivo de diminuir um ponto percentual ao longo do mandato. Baixamos impostos, reforçamos o rendimento das famílias, sem comprometer qualquer função e programa social, desenvolvido até aqui”, assegura o presidente de Guimarães.
Entre os investimentos, a Câmara destaca intervenções nas áreas da saúde e da educação.
A habitação é considerada “uma prioridade absoluta”, com o arranque da construção das 75 habitações do Programa 1.º Direito, apesar do “esforço financeiro adicional” que o município vai ter de assumir.
Guimarães vai ser Capital Verde Europeia em 2026, com 2,3 milhões de euros de investimento municipal associado.
A mobilidade é apontada como área estrutural, com prioridade para a conclusão dos estudos do MetroBus e para o novo Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, fundamental para “resolver os fortíssimos constrangimentos de trânsito, acessibilidade e mobilidade”.
Ao nível económico, Ricardo Araújo avança que o município vai elaborar um Plano Estratégico para o Desenvolvimento Económico e preparar a expansão dos parques industriais, lembrando que a revisão em curso do PDM visa “aumentar o solo urbano disponível para habitação e para acolhimento industrial”.
O vereador eleito pelo Chega, Nuno Vaz Monteiro, votou favoravelmente o orçamento, enquanto os vereadores do PS no executivo municipal se abstiveram na votação.
“Este plano e orçamento aponta tudo, menos um caminho claramente a seguir. Não aponta caminho de desenvolvimento do território, do concelho, na economia, na habitação, na mobilidade, no desporto, no social. Apenas aponta um caminho: é um caminho de continuidade daquilo que é as grandes obras que o Partido Socialista lançou num anterior mandato. É um orçamento que mais parece uma manta de retalhos”, defendeu Ricardo Costa, durante a discussão e votação.



