O deputado do PSD eleito por Vila Verde, Carlos Cação, coordenador e presidente do Grupo de Trabalho sobre o apagão de 28 de abril de 2025, assume um papel central na proposta de relatório final que identifica falhas críticas na resposta à crise e apresenta um conjunto alargado de recomendações ao Governo.
O documento, elaborado pelo relator Paulo Moniz, será discutido e votado pelos diferentes grupos parlamentares, numa data que assinala um ano sobre o incidente, considerado o mais grave no sistema elétrico europeu em mais de duas décadas.
Sob a coordenação de Carlos Cação, o Grupo de Trabalho concluiu que o apagão teve origem no sistema elétrico espanhol, resultando de um fenómeno de sobretensão que desencadeou um colapso em cascata na rede ibérica, com impacto imediato em Portugal. A avaliação é corroborada pela ENTSO-E, que classificou o episódio com o nível máximo de severidade.
Entre as principais conclusões, destaca-se a identificação de falhas graves ao nível das comunicações, que condicionaram a resposta operacional e a coordenação entre entidades. O relatório aponta ainda a ausência de orientações claras à população durante o evento, o que contribuiu para a disseminação de desinformação.
“O país revelou fragilidades significativas em setores críticos como comunicações, saúde, transportes e abastecimento de água”, sublinhou Carlos Cação, defendendo a necessidade de preparar estas infraestruturas para cenários extremos, como apagões, sismos ou fenómenos meteorológicos severos.
Nesse sentido, uma das principais recomendações passa pelo reforço da autonomia energética das infraestruturas críticas para um mínimo de 72 horas, através de sistemas de backup mais robustos e soluções como microrredes com produção renovável e armazenamento.
O relatório critica também a incapacidade do Parlamento em avaliar o funcionamento do mecanismo de coordenação governativa criado após o apagão — o CORGOV — devido à sua classificação como confidencial, recomendando maior transparência institucional.
Ao nível das comunicações de emergência, o documento propõe a revisão do sistema SIRESP e a criação de mecanismos alternativos independentes das redes comerciais, incluindo soluções baseadas em rádio e satélite. Neste contexto, é valorizado o papel desempenhado pelas rádios locais durante a crise.
O Grupo de Trabalho, liderado por Carlos Cação, recomenda ainda a criação de uma Estratégia Nacional de Preparação para Crises, envolvendo autarquias, proteção civil e meios de comunicação locais, com atualização regular após eventos relevantes.
Entre outras medidas, destacam-se propostas para revisão do regime de compensações aos consumidores, reforço da coordenação energética com Espanha e aceleração das interligações com a rede europeia.
A proposta de relatório será agora debatida na Assembleia da República, podendo ser alvo de alterações antes da sua aprovação final. O objetivo, segundo o Grupo de Trabalho, é garantir que Portugal esteja melhor preparado para responder a crises futuras e reforçar a segurança das suas infraestruturas críticas.
O documento foi apresentado no Palácio de São Bento, em Lisboa, a 24 de abril de 2026.



