O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, afirmou este sábado que quem exerce funções políticas deve estar preparado para um “absoluto escrutínio da sua vida pessoal e familiar”, numa crítica dirigida ao primeiro-ministro Luís Montenegro.
As declarações foram feitas em Baião, após Carneiro ter votado nas eleições diretas para a liderança do PS, nas quais é candidato único e deverá ser reeleito secretário-geral do partido.
Caso Spinumviva no centro das críticas
O dirigente socialista referia-se ao diferendo entre o primeiro-ministro e a Entidade da Transparência relacionado com a divulgação de clientes da empresa Spinumviva, tema que já chegou ao Tribunal Constitucional, que recentemente chumbou um recurso apresentado no processo.
Para Carneiro, quem exerce responsabilidades públicas deve aceitar níveis elevados de escrutínio, sublinhando que a transparência é uma exigência inerente ao exercício da atividade política.
Críticas também à resposta às tempestades
O líder socialista aproveitou ainda para criticar o Governo por alegados atrasos na atribuição de apoios às populações afetadas pelas recentes tempestades, defendendo uma resposta mais célere às comunidades atingidas.
Oposição “responsável” mas sem fechar portas no Orçamento
Apesar das críticas, José Luís Carneiro afirmou que pretende manter uma postura de oposição responsável, rejeitando aquilo que descreveu como uma estratégia de “elástico esticado”, ou seja, de confronto permanente com o executivo.
O líder do PS manteve, contudo, alguma ambiguidade quanto à posição do partido em futuras negociações do Orçamento do Estado, deixando em aberto a possibilidade de diálogo político em função das propostas que venham a ser apresentadas pelo Governo.
As eleições diretas do PS decorrem até ao final do dia, envolvendo cerca de 39 mil militantes, e antecedem o XXV Congresso Nacional do partido, agendado para o final do mês em Viseu.



