ÚLTIMA HORA Cartas de condução. Tribunal de Braga lê amanhã sentença de 47 arguidos

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Cartas de condução. Tribunal de Braga lê amanhã sentença de 47 arguidos

“Sentença” deve ser lida amanhã. O Tribunal de Braga marcou para esta quarta-feira nova sessão do julgamento do processo das cartas de condução no antigo centro de Exames da ANIECA em Vila Verde, pressupondo-se que o colectivo de juízes possa ler o acórdão final que está pronto há mais de um mês.

Fonte ligada ao processo disse a “O Vilaverdense/PressMinho” que o acórdão pode não ser lido na ocasião, isto se os advogados de defesa fizerem algum requerimento de última hora. O que até hoje ainda não sucedeu.

A nova data tornou-se possível depois de o Tribunal da Relação de Guimarães ter negado provimento a um incidente de recusa de juiz suscitado por sete advogados de defesa , o qual tinha levado o Tribunal de Braga a adiar, em Março, a leitura do acórdão de 47 arguidos julgados por corrupção com cartas de condução.

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Ao que se sabe, os principais arguidos – os examinadores de condução –  julgados por alegada corrupção, passiva e activa, em exames teóricos e práticos, deverão ser condenados.

E o mesmo deve suceder com muitos outros dos 47 arguidos no processo, vários instrutores e donos de escolas de condução, bem como alunos que pagaram para passar no exame. Envolve, ainda, um militar da GNR suspeito de dois crimes.

Naquele documento consta a prática de mais de 50 crimes.

Os factos apontam, ainda, para que, pelo menos, seis examinadores de condução, do antigo Centro de Exames de Vila Verde, terão “ganho” 730 mil euros, supostamente com a corrupção. Levavam mil euros a cada aluno, por uma “ajuda” no exame teórico de condução e 100 pela prova prática.

A estes valores acrescia uma verba para os intermediários, donos de escolas de condução da região ou outros. O dinheiro era incorporado no seu património pessoal.

As provas teóricas eram mais caras para o instruendo, «porque os examinadores assumiam um papel mais activo e, como tal, sujeitos a uma maior exposição».

Entre os factos provados está o do principal arguido, Joaquim Oliveira, ter recebido 193 mil euros, como sendo a «diferença entre o somatório do património e dos dinheiros recebidos, e o rendimento lícito declarado à administração fiscal» entre 2008 e 2013.

Este examinador, que respondeu por 35 crimes de corrupção passiva, é tido como o principal mentor de um alegado esquema de corrupção no antigo Centro de Exames da ANIECA – a associação dos industriais do sector – em Vila Verde e que envolveu examinadores, industriais de condução, instrutores e alunos.

Por vezes, era tal a impreparação e o nervosismo dos candidatos que não era possível ajudá-los. O “chumbo” era inevitável, mas era marcado, logo a seguir novo exame teórico.