O episódio ocorrido no jogo entre o SC Braga e o Vitória SC, relativo à retirada de uma tarja preparada por adeptos bracarenses, motivou posições públicas distintas por parte do presidente da Câmara Municipal de Braga e da Polícia de Segurança Pública (PSP).
O autarca João Rodrigues defendeu que o caso “merece esclarecimento, reflexão e o apuramento integral de todos os factos”, sublinhando que o que está em causa “não é apenas um momento de tensão num jogo de futebol”, mas também “a forma como se trata a expressão de apoio a um clube e a uma cidade”.
Reconhecendo a função essencial da PSP na garantia da ordem pública e da segurança, João Rodrigues frisou, contudo, que a atuação policial deve ser “sempre proporcional, adequada e devidamente fundamentada”. Acrescentou ainda que, “tal como foi tornada pública, a tarja que os adeptos do SC Braga pretendiam exibir não tinha conteúdo ofensivo, nem promovia o ódio ou a violência”.
O presidente da Câmara defende que todos os factos devem ser apurados “com objetividade, rigor e sentido de responsabilidade”, reiterando que Braga é “uma cidade com identidade, com orgulho e com forte sentido de pertença”, sentimento que “não pode ser confundido com desordem”.
Posição da PSP
Em comunicado, a PSP esclarece que, no âmbito do policiamento ao jogo da 23.ª jornada da I Liga, realizado no Estádio Municipal de Braga, procedeu antes da abertura de portas à habitual inspeção de segurança às bancadas.
Durante essa ação, foram detetadas duas lonas/tarjas previamente colocadas na bancada nascente: uma de grandes dimensões, com cerca de 2.500 metros quadrados, enrolada no relvado ao longo de toda a extensão da bancada, e outra na zona superior. A maior era composta por uma rede de suporte, várias lonas pintadas, uma estrutura metálica tubular com cerca de 100 metros de comprimento e centenas de metros de cordame para a sua elevação.
Segundo a PSP, estes materiais encontravam-se na proximidade de artefactos pirotécnicos de projeção, devidamente autorizados, mas os suportes utilizados não eram ignífugos. Atendendo à natureza dos materiais (rede, lonas, tintas e cabos) e à proximidade de fontes de calor, o comandante do policiamento, após consulta à estrutura distrital de comando, determinou a inviabilização total da coreografia, por considerar existirem “riscos reais e significativos para a integridade física dos adeptos”.
A PSP refere ainda que, durante a intervenção, foram identificados 42 indivíduos que tentaram impedir a ação policial através do acesso forçado ao estádio. Foram apreendidos 23 títulos de livre-trânsito sem identificação nominal, dois alicates e um artefacto pirotécnico ilícito, bem como três artefactos pirotécnicos ilegais previamente colocados na bancada e um gorro tipo passa-montanhas.
Foi detido um homem pelo crime de ameaças a agente de autoridade e identificados 10 indivíduos por incumprimento do dever de correção e moderação. A PSP regista ainda que várias pessoas necessitaram de assistência pré-hospitalar, estando a apurar as causas, e que um agente ficou ferido, necessitando de tratamento hospitalar.
A força policial acrescenta que já tinha comunicado, a 9 de fevereiro, a intenção de não autorizar as coreografias, por considerar que as mensagens nelas apostas “não evidenciavam qualquer manifestação clara e inequívoca de apoio” ao SC Braga. Refere ainda que o jogo foi temporariamente interrompido devido ao arremesso de tochas incandescentes para o relvado, precisamente na zona onde seria elevada a lona de maiores dimensões.
O incidente implicou um atraso de cerca de 35 minutos na abertura de portas do estádio. Foi elaborado expediente policial que seguirá os trâmites legais.
A PSP reafirma o compromisso de garantir “condições máximas de segurança” nos espetáculos desportivos e de continuar a cooperar com entidades públicas e privadas para assegurar a proteção dos adeptos e da comunidade.



