A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil confirmou quatro vítimas mortais associadas à depressão Kristin. Um acidente rodoviário em Silves, relacionado com as condições meteorológicas adversas, eleva para cinco o número total de mortos.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) informou esta quarta-feira à tarde que há registo de quatro vítimas mortais diretamente relacionadas com a passagem da depressão Kristin. Um quinto óbito, ocorrido em Silves na sequência de um acidente de viação associado ao mau tempo, foi igualmente contabilizado pelas autoridades.
Um dos casos registou-se em Vila Franca de Xira, onde a queda de uma árvore sobre um automóvel provocou a morte de um ocupante. Os outros três óbitos ocorreram no concelho de Leiria: em Carvide, duas pessoas morreram, uma após ter sido atingida por uma chapa metálica e outra por ter ficado presa na estrutura de uma habitação; em Fonte Oleiro, uma terceira vítima foi encontrada em paragem cardiorrespiratória numa obra, situação que a Proteção Civil também relacionou com as condições meteorológicas extremas.
No Algarve, em Silves, uma mulher de 85 anos, de nacionalidade holandesa, morreu na sequência de um acidente de automóvel ocorrido na zona de Algoz. De acordo com informação apurada, a vítima terá ligado ao marido a informar que se tinha despistado e caído com a viatura numa ribeira. O companheiro alertou o 112, tendo sido mobilizados meios de socorro para o local. A mulher foi encontrada já sem vida durante a tarde. O caso foi registado pelo Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve como estando relacionado com o mau tempo.
Entretanto, a Câmara Municipal da Marinha Grande chegou a avançar a morte de um homem de 34 anos na freguesia de Vieira de Leiria, também na sequência do temporal, mas acabou por recuar nessa informação.
Autarca de Leiria pede estado de calamidade
O presidente da Câmara Municipal de Leiria, um dos concelhos mais afetados pela depressão Kristin, apelou ao Governo para que seja decretado o estado de calamidade, face à dimensão dos prejuízos registados.
“O primeiro apelo que fazia era que o próprio Governo equacionasse de imediato o estado de calamidade para podermos acudir a todos os prejuízos e reunir os meios necessários para recuperar a vida normal do nosso concelho”, afirmou Gonçalo Lopes, defendendo que os esforços da E-Redes, da Proteção Civil e de outras entidades devem estar concentrados em Leiria.
Segundo o autarca, a cidade foi “atingida de maneira drástica” ao nível dos bens públicos e privados. “Temos espaços públicos virados de pernas para o ar. O impacto é semelhante ao que pode significar uma bomba dentro da nossa cidade, com destruição maciça”, declarou.
Entre os equipamentos afetados estão igrejas, estádios, piscinas, habitações e esplanadas. “Algo nunca visto, provocado pelo fenómeno que aconteceu entre as 3 e as 5 horas da manhã e para o qual não conseguimos ter resposta”, acrescentou.
Falta de eletricidade e água
Gonçalo Lopes admitiu que grande parte da população de Leiria poderá continuar sem abastecimento de água e energia elétrica nos próximos dois dias. “A E-Redes está a mobilizar todos os recursos nacionais para Leiria. Não vamos ter eletricidade durante este período”, disse, apelando à cedência de geradores por parte de empresas e instituições para apoiar estruturas prioritárias, como lares e forças de segurança.
O autarca alertou ainda que a falha de energia tem impacto direto nas comunicações e no fornecimento de água, pedindo à população que seja “racional e equilibrada nos consumos” de bens essenciais.
De acordo com o presidente da Câmara, os principais danos verificaram-se nas linhas de alta tensão, que ficaram “profundamente afetadas”, deixando todas as subestações de Leiria inoperacionais. A reposição da eletricidade, afirmou, deverá ser semelhante ao processo ocorrido durante o recente apagão nacional.
As autoridades mantêm o apelo à população para que evite deslocações desnecessárias, permaneça atenta às informações oficiais e adote comportamentos de autoproteção enquanto decorrem os trabalhos de recuperação.



