O consumo de carne de bovino em Portugal registou um aumento superior a 40% no último ano, segundo dados do Ministério da Agricultura. O crescimento é atribuído a uma maior exigência dos consumidores, que privilegiam cada vez mais carne proveniente de sistemas de produção sustentável. Contudo, a oferta nacional não tem conseguido acompanhar o ritmo da procura.
A escassez de animais é apontada como o principal problema. A situação agrava-se pelo facto de grande parte da produção nacional estar a ser canalizada para exportação, numa altura em que a Europa enfrenta também falta de bovinos.
Entre janeiro e setembro de 2024, Portugal exportou cerca de 16 mil toneladas de carne de bovino. No mesmo período deste ano, as exportações ultrapassaram as 45 mil toneladas, refletindo uma forte pressão externa sobre a produção nacional.
Em declarações ao Jornal Público, Teresa Moreira, presidente da Associação dos Criadores de Bovinos de Raça Minhota, relatou que, apenas na última semana, recebeu sete pedidos de vitelas, sem conseguir satisfazer nenhuma das encomendas. Segundo a responsável, os produtores contactados já não tinham animais disponíveis, uma vez que a maioria foi vendida antecipadamente por valores a rondar os mil euros.
Espanha surge como o principal destino da carne bovina portuguesa, com os compradores espanhóis dispostos a pagar preços superiores aos praticados no mercado nacional, sobretudo pela carne da raça minhota.
O Alentejo concentra 36% da produção nacional de bovinos, mas, ainda assim, Portugal é atualmente obrigado a importar cerca de metade da carne de bovino consumida no país para responder às necessidades do mercado interno.
A combinação entre a escassez de animais e o aumento do consumo ajuda a explicar a subida dos preços. A este cenário juntam-se os efeitos da seca de 2023 e o impacto de doenças no efetivo pecuário, que contribuíram para uma redução da produção.
Apesar do contexto de pressão sobre a oferta, as grandes cadeias de distribuição garantem, para já, que não está prevista qualquer rutura no abastecimento.



