Em 2025, Portugal registou uma descida histórica no recurso a contratos precários. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que apenas 15,1% dos trabalhadores por conta de outrem (TCO) estavam em contratos a termo ou em outras formas de trabalho precário, como os recibos verdes.
Trata-se da percentagem mais baixa desde 1995, ano em que começaram a ser compiladas estatísticas comparáveis, e também o valor mais reduzido desde o início da série contínua em 2011.
O fenómeno é explicado em grande parte pela escassez de trabalhadores, que levou muitas empresas a oferecer contratos mais estáveis para atrair e reter talento. Segundo especialistas do mercado laboral, esta tendência representa “um marco no mercado de trabalho português”, refletindo não só a pressão demográfica e a baixa taxa de desemprego, mas também alterações estruturais nas relações laborais.
Os contratos precários, historicamente associados a instabilidade financeira e social para os trabalhadores, têm vindo a perder peso em sectores como indústria, comércio e serviços, enquanto cresce a contratação a termo certo e os contratos sem termo, com maior proteção social e segurança no emprego.
O INE alerta, porém, que a diminuição do trabalho precário não elimina desafios no mercado laboral, como a necessidade de aumentar a qualificação da mão de obra, equilibrar horários flexíveis e permanentes e adaptar políticas laborais às novas realidades de emprego.
Em termos absolutos, a percentagem de TCO com contratos precários tem vindo a descer gradualmente desde 2018, mas a quebra para 15,1% em 2025 marca um ponto de inflexão, sinalizando a progressiva estabilização do emprego em Portugal, ao mesmo tempo que evidencia o impacto da escassez de trabalhadores na negociação contratual.



