O Coreto da Avenida Central, um dos marcos históricos mais emblemáticos do centro de Braga, vive uma realidade paradoxal. Enquanto turistas continuam a subir para apreciar a vista sobre a cidade, o espaço tornou-se um “refúgio” frequente para sem-abrigo, que lá passam a noite rodeados de cobertas e lixo espalhado pelo chão.
Localizado no coração da cidade, o coreto remonta ao final do século XIX e foi projetado por Joaquim Pereira da Cruz, tendo parte da execução confiada à Fábrica de Fundição do Ouro do Porto. A estrutura combina a estética tradicional do período com a robustez do ferro fundido, tornando-se ao longo do tempo num ponto de referência tanto para residentes como para visitantes.
A manutenção diária do espaço tem sido um desafio. Cobertas abandonadas e resíduos acumulados são visíveis, evidenciando a pressão social e urbana sobre um equipamento pensado para lazer e convívio. Para os turistas, no entanto, o coreto continua a ser um ponto de paragem obrigatório, atraindo fotografias e olhares sobre a avenida e o centro histórico.
A situação levanta questões sobre a gestão de espaços públicos históricos e o equilíbrio entre preservação patrimonial, turismo e inclusão social. Enquanto o coreto mantém a sua imponência arquitetónica e histórica, a realidade quotidiana denuncia fragilidades na manutenção e na integração social de Braga.



