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Corrupção à portuguesa

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Foi recentemente divulgado o ranking do Índice de Perceção da Corrupção, divulgado pela Transparancy International,  atribuindo  a Portugal uma classificação abaixo da média europeia, facto que não sendo surpreendente não deixa de ser lamentável.

Este resultado trouxe-me à memória uma velha estória sobre a corrupção na qual se narra a organização de uma expedição à lua promovida pela NASA. Sendo aquela uma entidade séria pautada por critérios de transparência  – que não alinha nesta moda dos ajustes diretos  – promoveu um concurso para a selecionar um astronauta para a dita missão.  Após um rigoroso programa de seleção foram apurados para a fase final  do concurso um português, um inglês, e um francês (como é aliás habitual  nestas estórias o que indicia, desde logo, uma certa viciação nos resultados). Chegado à entrevista o Inglês, justificando os riscos da missão, exigiu 5 milhões de dólares de recompensa para, assim, cuidar do futuro da sua mulher e dos seus dois filhos. O francês temendo igualmente os riscos daquela expedição exigiu  a mesma quantia  para acautelar, no caso de a coisa correr mal,  a segurança da mulher, do filho e as duas amantes. Chegou, finalmente,  a vez do  português que exigiu, para espanto do júri, 7 milhões de dólares,  propondo 3 milhões para o  júri como recompensa por ter sido ele o escolhido, 3 milhões para ele   por ser o vencedor do concurso e 1 milhão para a pessoa que, entretanto, encontrassem para enviar à lua!! O português foi, obviamente, o escolhido por unanimidade…

Este episódio retrata a forma aparentemente inofensiva como se exerce a corrupção no nosso país. É neste espírito de empenhos e promiscuidade que ela se propaga quer à escala nacional (grandes corruptos)  quer à  escala local(pequenos e médios corruptos,  bem conhecidos do meio  autárquico por organizarem frequentemente de expedições à lua desta natureza).

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Num país burocrático, pequeno e pobre como Portugal a corrupção encontra um terreno fértil adubado por uma sociedade civil cúmplice pela inércia e pela ausência de cultura cívica que  permite  que uma associação funesta de corporações mesquinhas e ambiciosas, de poder e de dinheiro abocanhem o país manipulando políticos e instituições.

A corrupção para além de causar prejuízos materiais  ao estado é fonte de degradação  da vida pública, descrédito das instituições, de aviltamento do carácter, desmoralização e de descrença da classe política e da própria democracia.

Numa democracia sã o controlo de poderes é fundamental para combater a corrupção e o maior controlo terá de ser assegurado pelos cidadãos, não só através do voto mas principalmente através do exercício de uma cidadania activa, critica e vigilante que não poderá ser substituída pelos tribunais ou pela  imprensa.

Afinal de contas a democracia não  é um sistema acabado sobra sempre alguma coisa para cada um nós completar…

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