João Cotrim de Figueiredo revelou esta sexta-feira, 23 de janeiro, em entrevista à SIC Notícias, que vai lançar um movimento cívico designado Movimento 2031, afastando simultaneamente um regresso à presidência da Iniciativa Liberal (IL) ou a fundação de um novo partido político. O eurodeputado assegurou ainda que não votará em André Ventura na segunda volta das eleições presidenciais, mas recusou esclarecer se escolherá António José Seguro ou o voto em branco.
Questionado sobre o destino dos cerca de 900 mil votos obtidos na primeira volta, a 18 de janeiro, Cotrim explicou que o novo movimento visa criar um espaço de continuidade para os seus apoiantes. “É um movimento cívico, para que haja sempre esta vontade de fazer melhor e diferente. É apartidário, mas não é apolítico”, afirmou, referindo que a iniciativa já se encontra disponível online em movimento2031.pt.
Segundo o antigo candidato, o Movimento 2031 irá promover eventos e manter ativas as comunidades criadas durante a campanha presidencial, por considerar que o “capital” político resultante desse percurso “não pode ser desperdiçado”. Cotrim recordou que a sua candidatura “nasceu de uma base política pequena”, a Iniciativa Liberal, partido a que chamou o seu “partido de origem”, e que se expandiu “pela energia e positividade” reunidas ao longo da campanha.
O eurodeputado afastou um regresso à liderança da IL e rejeitou a criação de uma nova força partidária, sublinhando que a atual direção do partido “está muito bem entregue” a Mariana Leitão e defendendo que “não se deve voltar a sítios onde se foi feliz”.
Cotrim de Figueiredo descartou igualmente uma candidatura a cargos políticos num futuro próximo, admitindo, contudo, que pretende marcar presença mais frequente no espaço mediático para dar visibilidade ao movimento, ao qual gostaria de conferir uma “dimensão europeia”.
Relativamente à segunda volta das presidenciais, garantiu que não apoiará André Ventura, mas considerou não ser “útil” revelar se votará em branco ou em António José Seguro. “Votaram em mim livremente e gostaria que fizessem o mesmo na segunda volta. Não sou dono dos votos de quem votou em mim”, afirmou. Para Cotrim, a escolha é “péssima”, reconhecendo que compreende quem opte pelo voto em branco e criticando a ausência de reformas por parte de Seguro. Sobre o líder do Chega, foi perentório: “Tem uma visão terrível do cargo presidencial e é divisionista. Desempato pela componente mais básica de decência: não gosto de pessoas que usem a mentira como arma política. Não votarei certamente em André Ventura.”
O ex-candidato presidencial garantiu ainda que jamais integraria um Governo do Chega.
Cotrim admitiu não saber se teria alcançado a segunda volta caso não tivesse surgido, na última semana de campanha, uma denúncia de assédio contra si, considerando que “foi demasiado fácil alterar um resultado eleitoral”. Voltou a defender a forma como reagiu à acusação e rejeitou a ideia de que falhou numa “prova de fogo”. “Duvido que haja uma prova de fogo como a que passei naquela semana. Situação tão difícil como aquela não passei. Revelei que não podem fazer de mim o que querem”, declarou, acrescentando esperar que “o destaque que foi dado à acusação seja dado à decisão do tribunal”.



