A investigação ao caso das duas crianças francesas abandonadas em Alcácer do Sal ganhou novos desenvolvimentos após a análise de imagens de videovigilância que mostram o padrasto a agredir um dos menores no interior de um café na região, reforçando a acusação de ofensa à integridade física qualificada.
Segundo informações avançadas pela TVI e pela CNN Portugal, as imagens captadas no estabelecimento comercial mostram o suspeito, identificado como Marc Ballabriga, a agarrar com violência pelos braços uma criança de quatro anos, num comportamento já descrito pelas autoridades como compatível com os crimes de que está indiciado.
O Ministério Público imputa ao arguido, além de exposição ou abandono, o crime de ofensa à integridade física qualificada, agora sustentado por prova vídeo recolhida no âmbito da investigação conduzida pela GNR. O material terá sido cedido pelos proprietários do café após diligências dos militares, na sequência de testemunhos recolhidos na zona de Alcácer do Sal.
A investigação prossegue com a análise de múltiplos elementos probatórios, incluindo depoimentos de residentes que confirmaram ter visto a família a frequentar estabelecimentos comerciais na área antes da detenção.
De acordo com as autoridades, ainda não foi, para já, formalizada a imputação do crime de violência doméstica, uma vez que essa avaliação dependerá também da inquirição das duas crianças para memória futura, a realizar em sede judicial nas próximas semanas.
As duas vítimas, irmãos de 3 e 5 anos, encontram-se atualmente ao cuidado de uma família de acolhimento na região de Setúbal.
O casal, composto por Marine Rousseau, de 41 anos, e Marc Ballabriga, de 55, encontra-se em prisão preventiva, depois de ter sido detido pela GNR em Fátima, onde se encontrava numa esplanada de café a mais de 200 quilómetros do local onde as crianças foram abandonadas.
O Tribunal de Setúbal determinou a medida de coação mais gravosa após a primeira audição judicial, com os arguidos a ficarem a aguardar o desenrolar do processo em estabelecimento prisional. Ainda está em aberto a questão da jurisdição do julgamento, podendo o caso vir a ser julgado em Portugal ou em França.



