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Desconstrução do prédio Coutinho “pode ser bom exemplo” de descarbonização

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O Portal da Construção Sustentável (PCS) disse esta quarta-feira “acreditar” que a desconstrução do prédio Coutinho, em Viana do Castelo, “pode ser um bom exemplo de descarbonização de atividades humanas, tema central da cimeira do clima das Nações Unidas.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a plataforma sem fins lucrativos de divulgação de informação sobre construção e sustentabilidade alertou que a desconstrução do edifício de 13 andares, no centro histórico de Viana do Castelo, “deve ser realizada de forma a ser um exemplo a seguir, de reutilização e reciclagem de materiais, com o fim de contribuir para a descarbonização de um dos sectores mais poluentes, o da construção”.

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A responsável do PCS, a arquitecta Aline Guerreiro, defendeu que a desconstrução do edifício, já iniciada, deve “ser um projecto-piloto e demonstrativo sobre o que é a desconstrução”.

“Seria interessante tornar pública a catalogação e quantificação dos materiais que estão já a ser retirados do prédio Coutinho. Não menos importante seria ter acesso ao valor gerado em euros pela comercialização dos materiais úteis como, por exemplo, portas em madeira maciça perfeitamente aptas a novas utilizações, de forma a impulsionar novas práticas como, por exemplo, o comércio de materiais de construção em segunda mão.

Esta prática é já corrente noutros países europeus, como a Holanda e a Dinamarca”, observou Aline Guerreiro.

“AGIR JÁ”

Para a arquitecta Aline Guerreiro, “estender a vida útil dos produtos contribuí para a diminuição da extracção de novas matérias-primas e para a poupança de recursos tão fundamentais como água e energia, contribuindo assim para o cumprimento das metas a que Portugal se propôs no âmbito da neutralidade carbónica até 2050, tão fundamental e necessária, sendo por isso o tema central na COP 26”, a decorrer em Glasgow, no Reino Unido.

“Temos de agir já. E todas as acções para a diminuição de todos os impactes ambientais serão necessárias. A ‘desconstrução’ (selectiva) deste prédio, poderá ser um bom exemplo a seguir”, salienta Aline Guerreiro.

O PCS escolheu o edifício Jardim como caso de estudo financiado pelo Fundo Ambiental para, “na fase do trabalho prático, fosse um exemplo a seguir em futuras desconstruções”.

Um projeto de desconstrução pretende alterar o paradigma de extrair – consumir – descartar, transformando-o numa economia circular, onde todos os materiais retirados da obra a desconstruir, possam ter uma nova vida, tornando-os em “ingredientes” para um outro edifício. Neste sentido, praticamente apenas os resíduos perigosos, como aqueles que contêm amianto, por exemplo, serão descartados”, refere Aline Guerreiro.

Segundo o PCS, “o apoio da VianaPolis nas várias visitas ao prédio”, permitiu fazer “um levantamento exaustivo de todos os materiais, visitando todos os apartamentos disponíveis”.

Desse trabalho resultou um estudo detalhado, com a catalogação “de todos os resíduos a valorizar e os produtos que estariam aptos a reutilizar tal qual estavam como, por exemplo, sanitários, torneiras, portas em madeira maciça, e outros”.

“Este reaproveitamento evitará a produção de novos materiais, com todos os impactos associados”, sustentou Aline Guerreiro.

A desconstrução vai custar cerca de 1,2 milhões de euros e vai estar concluída em Março de 2022.

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