O Papa Leão XIV rejeitou este domingo, na missa de Domingo de Ramos, qualquer alegação de que Deus possa ser invocado para justificar a guerra, numa celebração que reuniu dezenas de milhares de fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Na homilia, o pontífice sublinhou que Deus deve ser entendido como “rei da paz”, que “rejeita a violência e conforta os oprimidos”, deixando uma mensagem clara sobre o papel da religião face aos conflitos internacionais em curso. “Jesus, Rei da Paz, rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra (…) Ele não escuta as orações daqueles que travam a guerra, rejeita-as”, afirmou, citado pela Associated Press.
As declarações surgem num contexto marcado por vários conflitos armados, incluindo a guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão e a continuação da ofensiva russa na Ucrânia, situações em que diferentes atores políticos e religiosos têm recorrido a argumentos de natureza espiritual para justificar ações militares.
Segundo a homilia do Papa, esse tipo de interpretação contraria a mensagem central do cristianismo, que associa Deus à paz e à defesa da dignidade humana. A posição de Leão XIV reforça uma linha de discurso que procura afastar a instrumentalização da religião em contextos de conflito.
A celebração de Domingo de Ramos assinala a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e marca o início da Semana Santa, que culmina com a Paixão, morte e ressurreição de Cristo, celebradas na Sexta-feira Santa e no Domingo de Páscoa.
A cerimónia no Vaticano teve início com uma procissão de cardeais, bispos, sacerdotes e leigos, que entraram na praça transportando ramos de oliveira e palmeiras. O cortejo passou junto ao obelisco central antes de o Papa proferir a oração inicial e dar início à missa.
A homilia deste ano foi também marcada pela evocação do percurso recente da Igreja, num momento em que a Semana Santa se inicia sob a memória do pontificado anterior de Pope Francis, falecido em 2025. O Papa anterior tinha sido conhecido por enfatizar gestos de proximidade com comunidades marginalizadas, incluindo visitas a prisões e centros de refugiados.
Leão XIV deverá presidir às principais celebrações litúrgicas desta Semana Santa, incluindo a tradicional cerimónia do lava-pés na Quinta-feira Santa, que decorrerá na Basílica de São João de Latrão, bem como a procissão da Sexta-feira Santa no Coliseu de Roma e a Vigília Pascal.
No Domingo de Páscoa, o Papa deverá celebrar missa na Praça de São Pedro e conceder a bênção “Urbi et Orbi” a partir da varanda da basílica, encerrando as principais celebrações do calendário litúrgico cristão.



