O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a tecer duras críticas ao Reino Unido e anunciou o corte das relações comerciais com a Espanha, durante uma conferência de imprensa que antecedeu o encontro com o chanceler alemão, Friedrich Merz.
No contexto do conflito envolvendo o Irão, Trump acusou Londres de demonstrar pouca disponibilidade para apoiar os aliados dos Estados Unidos na região, nomeadamente Israel. Referindo-se ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou: “Não estamos a lidar com Winston Churchill”, criticando a posição do Governo britânico, que condicionou qualquer intervenção militar à existência de um plano “viável e bem elaborado” e rejeitou mudanças de regime impostas por via aérea.
Apesar disso, Starmer autorizou a utilização de bases militares no Reino Unido para operações consideradas “limitadas e defensivas” pelos Estados Unidos, após ataques iranianos contra aliados norte-americanos na região. Na segunda-feira, uma base britânica em Chipre foi atingida por um drone, alegadamente lançado pelo Hezbollah, grupo apoiado por Teerão, segundo autoridades cipriotas.
Ainda mais severas foram as críticas dirigidas à Espanha e ao chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, que recusou permitir a utilização de bases militares espanholas para apoiar operações que, segundo Madrid, violariam o direito internacional. Perante esta posição, Trump declarou que ordenou ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, o encerramento de todas as relações comerciais com a Espanha. “Vamos cortar todas as relações comerciais com a Espanha. Não queremos ter nada a ver com a Espanha”, afirmou.
Trump justificou ainda a ofensiva contra o Irão com a convicção de que Teerão se preparava para lançar um ataque em primeiro lugar, sustentando essa perceção no impasse das negociações diplomáticas entre Washington e o regime iraniano. O Presidente norte-americano acusou o Irão de atingir alvos civis, alegação negada por Teerão e que não foi confirmada de forma independente.
No encontro com o chanceler alemão, Trump sublinhou a proximidade entre os Estados Unidos e a Alemanha, afirmando que ambos os países estão alinhados quanto à necessidade de pôr termo ao que classificou como “terrível regime em Teerão”. Friedrich Merz reforçou que Washington e Berlim estão “na mesma página” quanto ao futuro do conflito e às soluções a adotar no pós-crise.



