O cabo que unia as duas cabinas do elevador da Glória “cedeu no seu ponto de fixação” da carruagem que descarrilou, revelou hoje o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF). O primeiro relatório sobre o acidente acrescenta que o guarda-freios acionou de imediato os travões.
De acordo com o relatório, as cabinas não teriam percorrido mais de seis metros quando perderam “subitamente a força de equilíbrio pelo cabo de ligação que as une”.
De imediato, o guarda-freios do veículo “acionou o freio pneumático bem como o freio manual”, contudo, as ações “não tiveram efeito em reduzir a velocidade do veículo”, que ganhou velocidade e terá embatido a cerca de 60 km/h. Estes eventos decorreram em menos de 50 segundos.
No relatório, os especialistas indicam ainda que os freios “não têm a capacidade suficiente para imobilizar as cabinas em movimento sem estas terem as suas massas em vazio mutuamente equilibradas através do cabo de ligação”. Desta forma, “não constitui um sistema redundante à falha dessa ligação”.
Sobre a manutenção do equipamento, a nota informa que, segundo as evidências observadas até ao momento, esta estava em dia. Confirma também que na manhã do dia do acidente havia sido realizada uma inspeção visual programada. No entanto, sublinham que a zona onde o cabo rompeu “não é passível de visualização sem desmontagem”.
No final do relatório, o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários reforça que ainda não é possível retirar quaisquer conclusões quanto às causas do acidente, considerando que a informação está incompleta porque ainda decorre a investigação.
O documento é apresentado pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários. O gabinete prevê publicar o relatório preliminar dentro de 45 dias.
O Elevador da Glória, em Lisboa, descarrilou na quarta-feira, causando 16 mortos e 22 feridos.
O Elevador da Glória é gerido pela Carris, liga os Restauradores ao Jardim de São Pedro de Alcântara, no Bairro Alto, num percurso de 276 metros e é muito procurado por turistas.



