A empresa Green Factor, com sede no Pico de Regalados – Vila Verde, lançou o desafio que está na origem de um projeto inovador de valorização de mirtilos de refugo, destinado à criação de corantes naturais e snacks alimentares. A iniciativa está a ser desenvolvida pelo MORE CoLAB – Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação, em parceria com o Instituto Politécnico de Bragança.
O objetivo passa por reaproveitar os mirtilos que deixam de cumprir os requisitos exigidos para comercialização em fresco e que, até agora, eram maioritariamente encaminhados para alimentação animal.
Segundo o administrador da Green Factor, Tadeu Alves, o projeto pretende transformar este desperdício numa oportunidade de inovação e criação de valor acrescentado para o setor agrícola.
“Permite considerar os mirtilos de refugo não como uma perda, mas sim como uma matéria-prima com potencial para gerar inovação e novos produtos”, afirmou o responsável, citado em comunicado.
O projeto prevê o desenvolvimento de dois produtos distintos. O primeiro consiste na extração da coloração azul natural do mirtilo, destinada à utilização como corante alimentar em produtos de pastelaria, como massas, recheios e coberturas.
De acordo com o investigador Alexandre Gonçalves, um dos principais desafios passa pela estabilização da cor durante os processos industriais, de forma a garantir a sua viabilidade comercial.
A segunda vertente do projeto centra-se na produção de uma farinha de mirtilo, obtida através da desidratação do fruto, que poderá ser utilizada no fabrico de snacks e barras energéticas.
Nos primeiros dois anos, a equipa irá desenvolver protótipos alimentares e realizar testes junto de consumidores. Já o terceiro ano será dedicado à produção em escala industrial.
Atualmente, os investigadores encontram-se na fase de caracterização do mirtilo de refugo, analisando fatores como maturação, teor de açúcar e coloração, aspetos considerados fundamentais para o desenvolvimento dos novos produtos.
Os produtos finais serão comercializados pela Green Factor, embora os responsáveis sublinhem que o conhecimento gerado poderá beneficiar outras regiões produtoras de pequenos frutos em Portugal.
O projeto InovBlueValue é cofinanciado pelo programa Norte 2030 e tem conclusão prevista para dezembro de 2028.



