Os governos de Espanha e de Itália vão enviar navios da Marinha para proteger e apoiar a Flotilha Humanitária que está no Mar Mediterrâneo, a caminho da Faixa de Gaza.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que o navio “Furor”, com 50 tripulantes, vai partir de Cartagena na quinta-feira.
A embarcação vai prestar apoio à Flotilha Humanitária, onde estão os portugueses Mariana Mortágua, Miguel Duarte e Sofia Aparício, e vai estar a postos “se for necessário realizar algum tipo de resgate”, disse Pedro Sánchez.
Em declarações após participar na assembleia geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o primeiro-ministro espanhol adiantou que vai negociar com os grupos parlamentares um embargo de armas a Israel.
A Marinha italiana também vai enviar um navio para assistir a Flotilha Humanitária, que foi atacada na última noite, mas o objetivo da missão não é usar a força, disse esta quarta-feira a primeira-ministra, Giorgia Meloni.
Em declarações à margem da assembleia geral da ONU, Meloni propôs que a ajuda humanitária da flotilha seja entregue em Chipre e ao patriarca latino de Jerusalém, para evitar novos incidentes.
A primeira-ministra italiana disse que está a aguardar uma resposta da organização da Flotilha Humanitária.
CARTA ABERTA AO GOVERNO PORTUGUÊS
Entretanto, 170 figuras da cultura nacional subscreveram esta quarta-feira uma carta aberta ao Governo português instando-o a “fazer tudo ao seu alcance” para garantir que a Flotilha Global Sumud entregará em Gaza a ajuda humanitária que transporta.
Na missiva, intitulada “Carta aberta ao Governo português pelo cumprimento do Direito Internacional”, os signatários destacam – de uma série de comunicados emitidos nos últimos dias pelo executivo israelita, dirigidos à flotilha – uma publicação na rede social X em que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, declara que irá deter a flotilha, impedindo-a de entregar a ajuda humanitária que transporta.
“Com esta ameaça, o Governo de Israel procura intimidar os cidadãos que integram esta missão, bem como normalizar a possibilidade de uma intervenção violenta, que configuraria uma nova violação do Direito Internacional”, sustentam os subscritores do texto, encabeçados pelos três portugueses que seguem na flotilha: a deputada Mariana Mortágua, o ativista Miguel Duarte e a atriz Sofia Aparício.
Partida no início de setembro de Barcelona, na costa nordeste de Espanha, a flotilha denunciou ter sido, até agora, alvo de ataques com ‘drones’ (aeronaves não-tripuladas) ao largo de Tunes e, depois, ao largo da Grécia.
A Flotilha Global Sumud, composta por cerca de 50 navios com ativistas, políticos, jornalistas e médicos de mais de 40 nacionalidades, e considerada a maior flotilha organizada até ao momento, pretende chegar a Gaza para levar ajuda humanitária e quebrar o bloqueio naval israelita, após duas tentativas barradas por Israel em junho e julho.
O Governo israelita afirmou na segunda-feira que não permitiria que a flotilha chegasse a Gaza, quase há dois anos alvo de uma guerra, propondo-lhe atracar no porto da cidade israelita de Ascalon, a norte do enclave palestiniano, e transferir a ajuda, que afirmou se encarregaria de fazer chegar ao destino.



