As empresas europeias com maior ligação à ciência são também as que registam maiores ganhos de produtividade, conclui um estudo da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da Universidade do Minho, que analisou mais de 150 mil empresas em 161 regiões da União Europeia.
A investigação, conduzida por Natália Barbosa e Ana Paula Faria, avaliou 150.712 empresas entre 2012 e 2017, tendo os resultados sido publicados na revista científica European Planning Studies. O trabalho aponta o conhecimento científico como um fator determinante não só para o crescimento empresarial, mas também para a redução de assimetrias regionais.
“Há diferenças persistentes na produtividade entre empresas e regiões dentro da UE, mas percebemos agora que o conhecimento científico tem sido um fator de convergência, em particular nas regiões periféricas do Sul da Europa, incluindo Portugal”, sublinha Natália Barbosa.
De acordo com o estudo, as empresas mais produtivas são também aquelas que conseguem tirar maior partido de fontes externas de conhecimento e inovação. Ana Paula Faria destaca que a capacidade de absorver e aplicar esse conhecimento tem sido decisiva para o desempenho empresarial.
A investigação identificou ainda que empresas com menor capacidade científica têm conseguido melhorar a produtividade através de estratégias de inovação imitativa, adaptando e aperfeiçoando tecnologias já existentes. Apesar de eficaz, esta abordagem é considerada menos dinâmica e com menor potencial de crescimento a longo prazo.
As autoras, que integram também o Núcleo de Investigação em Políticas Económicas e Empresariais (NIPE), defendem a necessidade de políticas públicas ajustadas às especificidades regionais. O estudo recomenda o reforço da ligação entre ciência e tecido empresarial, através de investimento em investigação e desenvolvimento (I&D), capacitação das empresas e promoção de ecossistemas locais de cooperação.
Segundo as conclusões, a articulação entre conhecimento científico e atividade económica deverá assumir-se como eixo central da competitividade europeia, contribuindo para uma economia mais inovadora e resiliente no contexto global.



