Os Estados Unidos vão aplicar, a partir desta sexta-feira, novas tarifas sobre bens importados de 60 parceiros comerciais, incluindo a União Europeia, numa nova medida da administração Trump para reforçar a política protecionista da economia norte-americana.
As novas taxas aduaneiras, de 10% e 12,5%, substituem uma tarifa temporária de 10% que tinha sido aplicada anteriormente e que termina esta sexta-feira, abrangendo parceiros comerciais como a União Europeia, Reino Unido, Canadá, Japão e Índia.
A Casa Branca justifica a decisão com o argumento de que vários parceiros comerciais dos Estados Unidos não estarão a fazer o suficiente para impedir a entrada nos seus mercados de produtos fabricados com recurso a trabalho forçado, uma prática que, segundo a administração norte-americana, prejudica as empresas dos EUA.
A medida surge como mais um passo na estratégia da administração Trump de implementar uma política tarifária abrangente, com impacto nas relações comerciais internacionais.
As novas tarifas surgem também depois de uma decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, que em fevereiro anulou as chamadas tarifas “recíprocas” anunciadas por Donald Trump em abril de 2025, justificadas pelo objetivo de reduzir o défice comercial norte-americano.
Na altura, os juízes do Supremo Tribunal consideraram que o Presidente tinha ultrapassado os seus poderes constitucionais, uma vez que a Constituição dos EUA atribui ao Congresso, e não ao chefe de Estado, a competência para criar impostos e tarifas.
Após essa decisão, Trump anunciou a intenção de avançar com uma nova tarifa global de 10%, criticando o entendimento do Supremo Tribunal. Essa taxa temporária foi entretanto aplicada durante 150 dias, mas termina agora, sendo substituída pelo novo regime tarifário.
A entrada em vigor das novas tarifas deverá ter impacto nas trocas comerciais entre os Estados Unidos e vários dos seus principais parceiros económicos, num momento de crescente tensão nas relações comerciais internacionais.



