O excedente orçamental das administrações públicas caiu 127 milhões de euros até fevereiro de 2026, fixando-se nos 1.992,4 milhões de euros, de acordo com a síntese de execução orçamental divulgada esta quarta-feira pela Entidade Orçamental.
Segundo o documento, a redução do saldo resulta do facto de o crescimento da receita (5%) ter ficado aquém do aumento da despesa (6,3%) no mesmo período, face a igual intervalo de 2025.
A evolução da receita foi influenciada, em parte, pelo impacto das tempestades registadas no final de janeiro e início de fevereiro, que afetaram o desempenho da receita fiscal, cuja subida se limitou a 1%.
Ainda assim, o crescimento global da receita foi sustentado sobretudo pela evolução das receitas não fiscais e não contributivas, que aumentaram 13,3%, e das receitas contributivas, com uma subida de 7,9%.
No detalhe dos principais impostos, a execução reflete um forte aumento da receita do IMI (189,6%), bem como subidas mais moderadas no IVA (0,9%), IRS (1%) e ISP (3,4%). Em sentido contrário, registaram-se quebras significativas no IRC (-40,3%) e no imposto sobre o tabaco (-14,2%).
Do lado da despesa, o aumento da despesa primária foi impulsionado sobretudo pelo crescimento das transferências (7,7%), das despesas com pessoal (5,8%) e das aquisições de bens e serviços (8%).
Já a despesa com juros e outros encargos financeiros registou uma ligeira diminuição de 0,7%, influenciada pela redução dos encargos da Administração Central.
Os dados agora divulgados evidenciam uma desaceleração do saldo orçamental nos primeiros meses do ano, num contexto marcado por fatores extraordinários e pelo aumento das despesas públicas.



