O “modus operandi” de Zattara consistia em ministrar potentes sedativos e comprimidos para dormir nas bebidas das vítimas, deixando-as num estado de letargia profunda antes de as agredir sexualmente. Entre as queixosas encontram-se amigas próximas, parceiras e clientes que procuravam os seus serviços de hipnose — uma atividade que exercia de forma autodidata e sem qualquer certificação oficial.
IMAGENS, VÍDEOS E ADN
A investigação, que levou à sua detenção em 2021, revelou um arquivo perturbador de dezenas de fotografias e vídeos que mostravam as vítimas inconscientes durante os abusos. Num dos casos relatados, uma vítima afirmou ter perdido a consciência após aceitar um copo de vinho durante uma sessão de hipnose, acordando mais tarde com memórias fragmentadas e mal-estar físico. Exames periciais confirmaram a presença de ADN do arguido e de substâncias indutoras do sono no organismo da mulher.
JULGAMENTO À PORTA FECHADA
Embora várias vítimas tenham manifestado o desejo de um julgamento público para que as suas vozes fossem ouvidas pela sociedade, o processo decorre à porta fechada por solicitação de uma das assistentes, um direito previsto na lei francesa para proteger a dignidade e privacidade das vítimas de crimes sexuais.
Zattara, que já admitiu a autoria de dez das violações de que é acusado, enfrenta agora duas semanas de julgamento que decidirão a sua sentença por crimes que chocaram a região de Aix-en-Provence pela sua longevidade e contornos de manipulação.



