A fase Charlie do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) entra em vigor esta segunda-feira, mobilizando em todo o país 13.335 operacionais, 2.994 veículos e 78 meios aéreos para responder ao período de maior risco de incêndios florestais.
O reforço dos meios surge numa altura em que as autoridades apontam para um cenário particularmente exigente, marcado pela abundante vegetação resultante de um inverno muito chuvoso e pela acumulação de material combustível nas áreas florestais.
Entre os fatores de preocupação identificados estão também a existência de caminhos e acessos ainda obstruídos, consequência das tempestades registadas nos últimos meses, o que poderá dificultar a rapidez das operações de combate em caso de incêndio.
A fase Charlie corresponde ao período do ano em que o dispositivo nacional atinge o seu maior nível de prontidão, reforçando a capacidade de resposta dos bombeiros, forças de segurança, proteção civil e restantes entidades envolvidas na prevenção e combate aos fogos rurais.
Governo rejeita “lei da rolha” no combate aos incêndios
À margem da apresentação do dispositivo, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, rejeitou a existência de qualquer tentativa de limitar a comunicação dos agentes envolvidos no combate aos incêndios.
“Não há lei da rolha”, afirmou o governante, acrescentando, no entanto, que “não pode andar cada um por si a falar”, defendendo a necessidade de uma comunicação articulada entre as várias estruturas operacionais.
As declarações surgem depois de o secretário de Estado da Proteção Civil ter afirmado que “ninguém ficará impune se disser que não conhece a missão no terreno”, afirmações que geraram debate sobre a liberdade de intervenção pública dos responsáveis operacionais.
Relatório do SIRESP disponível para consulta
O ministro garantiu ainda que o relatório relativo às falhas do sistema de comunicações de emergência SIRESP está disponível para consulta por quem o solicitar.
A fiabilidade das comunicações continua a ser uma das matérias mais sensíveis na preparação da época de incêndios, sobretudo após os problemas registados em operações de emergência nos últimos anos.
Com a entrada em vigor da fase Charlie, as autoridades reforçam os apelos à prevenção e à adoção de comportamentos seguros em áreas rurais e florestais, numa época em que as condições meteorológicas e o estado da vegetação poderão aumentar significativamente o risco de incêndio.



