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Fátima, sempre foi, já é e será sempre mais (86). A Imagem Peregrina visitou a Madeira antes de prosseguir para África

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  • Crónica de Salvador de Sousa

Vimos, nas crónicas anteriores, as inúmeras receções calorosas da Imagem Peregrina ao longo de alguns países da Europa e comoventes cenas prodigiosas que se foram presenciando, contadas pelo próprio relator destas viagens que acompanhou nossa Senhora nestas peregrinações, o Cónego Carlos Duarte Gonçalves de Azevedo, administrador e investigador, nascido, no dia 28 de setembro de 1910, em Parada de Tibães e, aqui, faleceu no dia 4 de maio de 1986.

Filho de José António Gonçalves de Azevedo e de D. Ana Duarte Gonçalves de Azevedo. Criado juntamente com uma família numerosa, impregnada de valores cristãos, cedo foi levado pelo então Bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, para a sua diocese, matriculando-se no Seminário local, no ano letivo 1922/23, sendo ordenado presbítero no dia 4 de abril de 1935, subindo, no dia seguinte, os degraus da Basílica de Fátima sob o olhar materno d’Aquela a quem iria dedicar parte da sua vida.

No dia 6 de abril de1948, pelas 16 h, saiu a Imagem Peregrina da Cova da Iria para percorrer as terras de Além-Mar, sendo a Ilha da Madeira a primeira, nesta viagem, a receber a Virgem Maria, levada no barco “O Lima”, pertencente à Companhia Nacional de Navegação, partindo do cais de Alcântara, onde se encontravam milhares de fiéis que cantavam e rezavam o terço, aclamando Nossa Senhora de Fátima, acenado os seus lenços na despedida e só parando quando o barco se deixou de observar, parecendo, ainda, ressoar tantos louvores que se invocaram naquela partida.

Nas 48 horas de viagem até à Madeira, viveram-se momentos inspiradores de uma força sobrenatural com aquela linda Imagem, colocada num autêntico jardim com as rosas mais belas que se poderiam colher em Portugal, a proporcionar momentos de oração contínua, «sentindo todos não sei que presença invisível ali materializada naquela singela Imagem da Mãe de Deus.»

Passou, no dia 7, pelas 4 horas da manhã, em frente à Ilha de Porto Santo que, por razões imprevistas, não aportou, seguindo no caminho do Funchal que, às 6 horas, já se avistavam as povoações ribeirinhas «tudo envolvido ainda naquela luz cinzenta do amanhecer.» A “catedral flutuante” vai-se aproximando da multidão faminta, ansiosa de tocar na Imagem que, no convés do “Lima”, começou a irradiar o Seu olhar misterioso expandido pelos brilhantes raios de sol que tocavam já naqueles olhares tão fervorosos da multidão que enchia as redondezas do cais da Pontinha, acompanhada das mais altas figuras do clero, da Juventude Católica Feminina, das autoridades civis e militares… não faltando outras embarcações engalanadas com os seus comandantes e tripulantes que aguardavam a vinda da Mulher que trouxe ao mundo o nosso Salvador.

A Imagem Peregrina foi retirada pelos oficiais superiores do “Lima” enquanto que um representante do Bispo pronunciava algumas palavras de boas-vindas, explicando, ao mesmo tempo, a razão da visita, terminando com as seguintes palavras: «Glória a Maria, a excelsa Rainha de Portugal, de Aquém e de Além-Mar em África, Senhora da Guiné… Hosana, hosana à Mãe de Deus!…» Seguidamente, no momento do início do desfile majestoso, os sinos das igrejas, ermidas, o som dos clarins do exército soam sem parar, enquanto os fiéis rezavam, choravam, cantavam, rejubilavam com presença da Mãe de Deus no meio de verdadeira chuva de flores que caía das varandas, de todos os cantos onde os devotos se encontravam, formando, nas ruas, um autêntico tapete colorido.

Ergueu-se um altar no centro do largo do Infante, colocando o andor ao seu lado, ouvindo-se gritos da multidão: Arraial! Arraial! Arraial! Por Virgem da Fátima, Rainha de Portugal. A cerimónia religiosa teve um momento comovedor com o Presidente da Câmara do Funchal a fazer uma profissão de fé: «Senhora de Fátima, nós cremos nas Vossas promessas e sabemos que o Vosso Imaculado Coração triunfará. Em nome do bom povo do Funchal, eu faço a nossa profissão de fé.» No seguimento da consagração do mundo pelo Papa Pio XII, defende que todas as cidades, vilas e aldeias devem-na renovar, dizendo: «Senhora de Fátima, Coração Imaculado de Maria, em nome da cidade do Funchal eu Vos consagro o seu povo, eu Vos consagro esta cidade para maior glória Vossa e uma melhor esperança… A peregrinação avançou para a catedral e, após a bênção dos doentes, percorreu todos os recantos da Ilha.

[Principal fonte destas crónicas: “Fátima Altar do Mundo”, 3 volumes, sob a direção literária do Dr. João Ameal da Academia Portuguesa da História…]

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