Portugal está a atravessar um dos invernos mais chuvosos de que há registo e os primeiros 15 dias de fevereiro de 2026 já colocaram este mês como “o mais chuvoso dos últimos 47 anos”. A informação consta do mais recente boletim do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
De acordo com os dados divulgados, a primeira quinzena de fevereiro registou uma precipitação acumulada de 223,5 milímetros, valor que corresponde a cerca de três vezes o normal observado no mesmo período com base na média climatológica dos últimos 30 anos. O fenómeno foi sentido de forma generalizada em grande parte do território continental.
Em comunicado, o IPMA dá conta que o total de precipitação acumulado relativo a este mês é de 223,5 milímetros (304% do normal), ou seja, cerca de três vezes superior ao valor médio de referência entre 1991 e 2020.
“Grande parte do território já regista valores entre 300% e 400% (três a quatro vezes) do valor normal 1991-2020, sendo mesmo superior a 500% (ou seja, cinco vezes) nas localidades de Mora, Lavradio e Alvalade do Sado”, no sul do país, precisou o IPMA.
O instituto destaca igualmente que Portugal continental viveu um dos períodos mais chuvosos das últimas décadas entre novembro e 15 de fevereiro.
O ano passado foi o terceiro mais chuvoso desde 2000, “com um total anual de 1064.8 mm (130% do valor normal 1991-2020)” e o quinto mais quente desde que há registos, com seis ondas de calor, incluindo uma com características excecionais”, segundo o instituto.
O IPMA refere também que novembro foi o terceiro mês mais chuvoso desde 2000 e dezembro o sétimo.
“Regionalmente, choveu 1.5 a 2.5 vezes o valor normal em vários municípios do Norte e Centro em novembro e do Centro e Sul em dezembro”, salienta, frisando que janeiro foi o segundo mês mais chuvoso desde 2000, marcado pela passagem de cinco depressões: Francis, Goreti, Ingrid, Joseph e Kristin.
“Em grande parte das regiões Centro e Sul os valores mensais situaram-se entre 250% e 350% do normal. A maior rajada registada nas estações de superfície atingiu 177,8 km/h em Monte Real/Base Aérea”, lê-se na informação hoje publicada pelo IPMA.
Mais de metade dos distritos já atingiu ou ultrapassou o valor médio anual de precipitação. Em Faro, o total acumulado já supera o valor médio de um ano completo.
No que diz respeito à situação hidrológica, o acumulado desde 01 de outubro (início do ano hidrológico) até 15 de fevereiro é de 905.6 mm, “correspondendo a 1.8 vezes o valor médio e superando o ano hidrológico de 2000/01, até agora referência dos últimos 25 anos”.
O IPMA destacou ainda que se verifica uma situação generalizada de saturação dos solos, “com casos de sobressaturação no Norte e Centro, aumentando o risco de inundações e instabilidade de vertentes”.
MARÇO VAI TRAZER TEMPERATURAS «ACIMA DA MÉDIA»
Em declarações ao Expresso, Ricardo Deus, chefe da divisão de climatologia do IPMA, sublinha que “a quantidade de precipitação observada é já historicamente excecional”, enquadrando o atual padrão meteorológico numa sucessão de sistemas фронtais que têm atingido o país desde o início do inverno.
Apesar do cenário registado até agora, as previsões apontam para uma mudança gradual das condições meteorológicas. Para os próximos dias, é esperada menos precipitação do que o normal para esta fase final do inverno, com tendência para uma estabilização atmosférica.
Para março, os modelos meteorológicos indicam a probabilidade de temperaturas acima da média, sugerindo a chegada de períodos mais quentes e secos, embora o IPMA alerte que estas projeções de médio prazo devem ser interpretadas com cautela.
O excesso de chuva tem contribuído para a reposição dos níveis de água nas barragens e aquíferos, mas também tem provocado constrangimentos, como cheias localizadas, instabilidade de taludes e dificuldades na circulação rodoviária em várias regiões do país. As autoridades mantêm o apelo à população para que acompanhe os avisos meteorológicos e adote comportamentos preventivos face a episódios de precipitação intensa.



