O presidente do Chega, André Ventura, acusou esta segunda-feira a coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, de procurar “vitimizar-se politicamente” após o regresso a Portugal dos ativistas da flotilha Global Sumud, detidos por Israel quando tentavam chegar a Gaza.
Em declarações à comunicação social na Moita, no distrito de Setúbal, onde participou numa ação de campanha autárquica, o líder do Chega criticou também o Governo, por ter enviado o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, para receber os quatro ativistas no aeroporto de Lisboa.
Segundo Ventura, a dirigente bloquista “quis colocar-se numa situação de vitimização perante o país”, mas “a reação das pessoas mostrou indignação”. O presidente do Chega considerou ainda que Mariana Mortágua “tentou criar um número mediático” a milhares de quilómetros de Portugal, “quando o país enfrenta sérias dificuldades internas”.
“Acredito que em Gaza haja insegurança e falta de alimentos, mas em Portugal também há pessoas a viver dificuldades. Mariana Mortágua é deputada da nação, não é deputada palestiniana”, afirmou Ventura.
O dirigente criticou ainda o gesto do Governo, classificando-o como “inadequado”.
“Mais ridículo ainda foi termos um secretário de Estado a ir para o aeroporto receber estas pessoas”, referiu, considerando o episódio “um sinal de falta de prioridade política”.
O líder do Chega defendeu que os responsáveis políticos “devem preocupar-se primeiro com os problemas internos do país, antes de intervir em conflitos internacionais”.
“Gostava de ver os mesmos ativistas a lutar pela saúde, pela segurança e pelas condições de vida em Portugal, em vez de se envolverem em ações no estrangeiro”, acrescentou.
A flotilha Global Sumud, que incluía quatro ativistas portugueses — entre eles Mariana Mortágua, Sofia Aparício, Miguel Duarte e Diogo Chaves —, foi detida pelas autoridades israelitas no final de setembro, quando navegava rumo à Faixa de Gaza com o objetivo de entregar ajuda humanitária.
Os participantes regressaram a Lisboa no domingo e foram recebidos por membros do Governo e por centenas de apoiantes, num gesto que André Ventura classificou como “um erro político e simbólico num momento em que Portugal enfrenta graves dificuldades internas”.



